Séries que deixam saudades: The IT Crowd

Por Juliana Fernandez

Existem séries que acabam e deixam saudades. Dead Like Me, The Sopranos, Arrested Development, Firefly… A lista é longa, e das series que infelizmente – ou não – tiveram seus fins, uma das minhas preferidas é The IT Crowd, que foi transmitida entre 2006 e 2010 pelo Channel 4.

O sitcom britânico foi escrito por Graham Linehan, que – admito – não havia ouvido falar até meados do ano passado. Já conhecia o trabalho do Richard Ayoade enquanto diretor de video clipes e sabia que também atuava, mas foi depois de Submarine (seu primeiro filme enquanto diretor, que foi resenhado por mim aqui) que me veio a curiosidade saber mais sobre ele. E foi assim que conheci a série.

Satirizando séries que se passam em escritório, os três personagens principais trabalham no departamento de suporte tecnico das Industrias Reynholm: Jen Barber (Katherine Parkinson), chefe do departamento não entende muito de informatica (no primeiro episódio ao ser obrigada a dar exemplos de sua experiencia na area, ela lista “receber emails” e “clique duplo”) cujos interesses vão de sapatos até homens, um esteriotipo desnecessário à personagem. Já Roy Trenneman (Chris O’Dowd) ao contrário de sua chefe, entende do que faz, mas não tem muito vontade – na verdade, nenhuma – de trabalhar. E por ultimo, Maurice Moss (Ayoade), que – eu juro que não foi intencional de minha parte – é um dos meus personagens preferidos. Podendo facilmente ter se tornado apenas um estereótipo de um “nerd”, para minha surpresa ele é extremamente cativante e hilário.

 

Entre os personagens que aparecem ao longo da série estão Denholm Reynholm (Chris Morris), o dono das indústrias – o típico empresário moderno – e seu filho Douglas (Matt Berry), que acumula processos por assédio sexual a torto e a direito. E entre as participações, o destaque fica com Noel Fielding (de The Mighty Boosh e Noel’s Fielding’s Luxury Comedy) que interpreta Richmond, que costumava ser o braço direito de Denholm e acaba terminando na IT após virar gótico.

Séries que se ambientam em escritórios existem aos montes, algumas ótimas e outras nem tanto, The IT Crowd se encaixa na primeira categoria. Pode não ser a mais bem produzida, entretanto, o roteiro excelente proporciona a cada personagem grandes momentos, e os personagens por sua vez são interpretados por atores que além de saber muito bem o que estão fazendo, possuem uma dinâmica em grupo que está se tornando incomum hoje em dia.

 

Por mais que as temporadas sejam curtas (são três delas, cada uma com seis episódios), os episódios são excelentes. E talvez seja exatamente por isso, já que o roteiro não se estagna, como acontece com muitas séries que possuem mais de vinte episódios em cada temporada.

The I.T. Crowd poderia ser mais uma comédia “de escritório”, se não fosse seu humor delicioso, personagens cativantes e momentos inusitados. Uma série para assistir e deixar guardada em seu HD para rever depois.

 

 

 

 

 

 

Com um pouco de som – fotografa mostra que não é preciso apenas “o olhar”

Por Lorena Krebs

Toda vez que eu comecei a aprender a fotografar eu escutei sempre a mesma coisa “tem que treinar o olho”. É claro, tem que ter um ângulo legal, tem que enquadrar, ajustar o foco, o zoom, arrumar a lente de uma maneira que a luz fique legal, mas, acima de tudo tem que treinar o olho para aqueles momentos que passam instantaneamente, para aquele ângulo que ninguém mais percebeu, para aquele pequeno detalhe que faz diferença dentro de uma multidão.

Nunca treinei meu olho, mas também nunca revelei boa parte dos meus filmes, quem sabe um dia na velhice eu descubra que eu tinha futuro – deixo pra velhice porque, eu realmente tenho minhas dúvidas quanto as minhas habilidades fotográficas – entretanto, assim como talento pode ser aprendido, pode ser aprimorado, mesmo quando não se tem um dos sentidos mais necessários para tal.

É o caso da norte-americana Amy Hildebrand, que nasceu cega e, após umas cirurgias passou a enxergar algumas cores, sombras e formas, e, mesmo sem uma visão total, fez da fotografia uma das coisas mais importantes de sua vida. Ela decidiu fazer um blog para postar as fotos, a ideia era fazer um blog com 1000 fotos, cada dia, uma foto.

Confesso que a primeira vez que me deparei com esse blog (http://withlittlesound.blogspot.co.uk/) eu não acreditei muito que ela fosse cega – a época não sabia que ela não era mais totalmente cega – ou que as fotos eram livres de qualquer edição, a luz de boa parte das fotos me lembrava uns efeitos muito comuns em programas de edição.  Mas, o nome do blog é realmente algo que diz muito, uma vez que quando um sentido se encontra ausente, ou parcialmente prejudicado, os outros passam a ficar cada vez mais aguçados.

Após algumas pesquisas, até mesmo dentro do blog, dava para perceber a diferença nas fotos, e, diria até uma evolução na forma como ela capturava os momentos de seus dias, passei então a acreditar que talvez não tenha dedo de edição nas fotos, afinal, algumas imagens carregam um ar… não sei, natural demais para terem sido editadas.

E, mesmo não sendo fotografias do Sebastião Salgado, ou do Henri Cartier-Bresson, vale a pena conferir o trabalho, principalmente os últimos meses, os quais, acredito eu, tem as melhores fotos dentre todos os meses que eu vi.

“Fugere” e algumas lembranças

Foto da rua lá de casa

Já sobre o coche de ébano estrelado

Deu meio giro a Noite escura e feia;

Que profundo silêncio me rodeia

Neste deserto bosque à luz vedado!

Jaz entre a folhas Zéfiro abafado,

O Tejo adormeceu na lisa areia;

Nem o mavioso rouxinol gorgeia,

Nem pia o mocho, às trevas costumado.

Só eu velo, só eu, pedindo à Sorte

Que o fio, com que está minha alma presa

À vil matéria lânguida, me corte.

Consola-me este terror, esta tristeza,

Porque a meus olhos se afigura a Morte

No silêncio total da Natureza. (BOCAGE, Du Manuel)  

Antes de qualquer colocação, quero me antecipar e me desculpar pela surpresa do tema de hoje. Aos leitores que nos acompanham sempre; aos leitores que me leem todas as quartas em busca de informações sobre música pop: não falarei, hoje, sobre artista ou videoclipe algum. Na verdade, talvez eu faça algo completamente diferente toda quarta última do mês – sim, hoje completamos um mês juntos! Antecipo, também, meu muito obrigado aos amigos, apoiadores e divulgadores do PACULT.

Isso – escrever sobre temas aleatórios a cada último post do mês – ainda não é certo, mas eu senti a necessidade de escrever sobre esse outro assunto e, como minha “editora chefe” que ouso apelidar de “editora inventiva” nos deixa bastante livres para criar, decidi arriscar. Nomes como Azealia Banks e Rita Ora têm me vindo constantemente à mente, mas eu nem consegui terminar de escrever nada referente a elas sem, antes, privilegiar as sensações que capitei nos últimos quatro dias. Então, você que veio em busca de música, fique ligado que, nos próximos posts, voltaremos com “nossa programação normal”.

Fui motivado por uma onda nostálgica que parece ter dominado, também, outros colaboradores de nosso blog, que verteram emoção ao declarar seu flerte com alguns livros em momentos marcantes de suas vidas – declaro que ouvir Wannabe não me influenciou nostalgicamente em nada, até porque eu não fui escutá-la depois da notícia de que as Spice Girls se reuniram para lançar um musical (Viva Forever) sobre elas mesmas (?!) -. Fui ainda mais arrebatado pela nostalgia, devido a minha última ida ao interior do Estado, Diamantino, final de semana passado. Cidade em que, não nasci, porém fui criado até meus 13 anos. “Prepara que aí vem as novids!”

Ultimamente, cada retorno à casa em que cresci, na qual ainda vivem os meus pais, têm significado bem mais que uma necessidade de sanar a saudade. Tomo cada “visita ao passado” como vital: paro pra respirar, organizar pensamentos, pensar – propriamente -, sentir, observar, admirar as estrelas e alguns resquícios de natureza; ficar off-line.

É bem verdade que Cuiabá está longe de ser uma São Paulo, com seus esquemas de rodízio de carros para tentar evitar congestionamentos de centenas de Km; é bem verdade que o ar que aqui respiramos consegue ser, ligeiramente, menos poluído que o de lá; é bem verdade, também, que a violência que aflige todas as capitais consegue soar ainda mais intensa, por causa dos veículos midiáticos, lá do que dentro da nossa “cidade verde”.

Contudo, nosso trânsito, em virtude de três jogos de futebol, está se tornando caótico; nosso ar irrespirável (valha-me o período das secas e queimadas) e a violência, bem, não preciso nem elencar alguns casos que chegaram a motivar polêmicas e dividir opiniões: “as mulheres e suas vontades de serem estupradas expressas nos trajes que usam…”.

Para além do espaço físico, somos acometidos por uma série de cobranças que nos cerceiam psicologicamente. Qual caminho seguir? Qual profissão? Geração X, Y ou Z? Tá solteira fia (ainda?)? “Com que roupa eu vou?”, Madonna ou Lady Gaga? E é nesse ponto que o “fugere urbem para o interior”, ainda, é ineficaz: você sai na rua e sabe que sempre, independentemente da atitude, as “tias da janela” estarão de orelha em pé e olhos atentos cuidando de sua vida – de preferencia, falando mal -. Então a cobrança persiste.

De um modo geral, há um “ruído” com o qual temos de lidar diariamente nas nossas, muitas vezes, enfadonhas rotinas. É bom ter algo com o que possamos “escapar”, silenciar. Um livro, um beijo, uma conversa, um abraço, uma fugidinha (sem ou com trocadilhos), uma música.

No post de semana passada, mencionei uma solidão que “ninguém pode suprir”, mas, com a qual, necessitamos nos encontrar, vezenquando. Necessitamos, porque é muito fácil se perder dentre as questões e cobranças que o mundo nos impõe. É cômodo levar a vida na barriga, sem sinapses, sem reflexões e fazer escolhas ao acaso. “Mamãe mandou” não diz respeito mais ao “mundo de gente grande” – como é bom ser criança, né?! -. E é para essa solidão, que escapamos; é pra ela que, independentemente da tática, do meio, nos dirigimos – ou, ao menos, deveríamos.

No meu caso, não credito o valor da experiência ao “fugere urbem”, pois, em tese, escapei para minhas próprias memórias – que ainda estão bastante vivas. Mais que escapar, tenho de confidenciar: fui me encontrar com quem eu fui um dia para perceber que mudei muito, mas ainda sou o mesmo em tantos gostos; fui para fincar os pés em algumas raízes e cultivar alguns valores que eu sei (só eu sei) que ainda são meus.

Acessando a estas memórias me deparo, também, com o que me motivou a sair de lá, um “bicho do mato”, para enfrentar um lugar que me soava tão misterioso, enigmático e amedrontador: tenho um apreço por essa selva de pedras; pelas pessoas e suas rotinas agitadas. Ah, a vida noturna… Criei gosto por crônicas urbanas e o contato com essa realidade  é uma espécie direta de matéria prima. Desde então, entendi o que é dar a cara a tapas, chegando a uma conclusão inevitável: gosto de apanhar.

Donkey Kong 64: O mais longo e divertido confronto entre Kongs e Kremlings

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Por Thiago Mattos

 

Este artigo marca o fim dessa etapa de games do N64 que marcaram época e revolucionaram de alguma forma, seja com o 3D de Mario, o áudio de Fox ou a obra de arte que é Zelda Ocarina of Time.

No final do ano de 1999 a Nintendo lança Donkey Kong 64, uma longa e divertida aventura do personagem mais antigo da história da Nintendo. Sim, digo isso sem medo de errar, Donkey Kong é o vilão do primeiro jogo do Mario, cujo nome é Donkey Kong, só que em 1981 (data de publicação do jogo) o Mario se chamava “jumpman”, o encanador só se mostrou ao mundo com sua verdadeira identidade em 1983, no jogo Mario Bros. Por isso, muitos como eu consideram o famoso DK dois anos mais velho que o bigodudo. Após essa aula de história “nintendísdica” vamos à análise do game.

O grande diferencial do jogo é a grandiosidade em todos os sentidos, gráficos de prmeira, mundos enormes, muitas opções de jogo, tarefas e bananas que parecem não ter fim. Tanta grandiosidade fez com que fosse necessário um expansion pak para salvar o game, foi o primeiro jogo do Nintendo 64 a requerer tal acessório, depois veio Zelda Majora’s Mask. Esse aspecto pomposo do game é ao mesmo tempo sua virtude e seu defeito.

King K. Rool é o grande vilão. O réptil pretende destruir a ilha DK, porém sua ilha flutuante tem problemas e enguiça justamente de frente para a ilha do Kong, para ganhar tempo na construção de sua arma, o jacarézão e seus comparsas sequestram 4 amigos de DK, entre eles o famoso Diddy. Agora cabe a você salvar seus amigos, e pegar oito chaves que podem vir a libertar K. Lumsy, um Kremling do bem que foi aprisionado por K. Rool, só dessa forma se pode destruir a grande arma dos répteis. Para concluir esses objetivos você deve coletar mais de 200 bananas que te possibilitam acesso a novas áreas durante o jogo.

Os kongs que você libera são jogáveis e com características diferenciadas ( isso é explicado no fantástico rap de introdução do jogo) e essa é a principal qualidade do jogo. É fantástico alternar entre a agilidade de Diddy e Tiny, a força de Chunky, a elasticidade de Lanky e o equilíbrio de DK. Ainda é possível controlar o rinoceronte e o peixe-espada que são provenientes do Donkey Kong Country pro SNES. Também é possível em determinada fase do game, jogar e zerar o Donkey Kong de arcade (são  dois games num só!). As fases tem tarefas difíceis e longas e há o multiplayer que você pode batalhar de inúmeras maneiras com seus amigos. MEU DEUS! É muita coisa nesse jogo!

A euforia diminui quando se percebe que tanta grandiosidade acaba mascarando alguns defeitos, por exemplo; o multiplayer tem dezenas de opções, mas a diversão e jogabilidade não são lá essas coisas; o jogo muitas vezes confunde o longo com o monótono e há a triste curiosidade de que as partes mais chatas são as mais difíceis. Em determinado momento você se pega indo jogar o arcade, pois este está mais divertido que o game propriamente dito. E isso é melancólico.

Enfim, DK 64 ganha muitos pontos pelo pioneirismo, o jogo arrisca bastante na proposta de ser completo e dar diversão infinita, comete muitas falhas é verdade, entretanto merece as notas altas que teve pela tentativa de ser épico. As falhas são naturais para um jogo que tentou estar muitos anos à frente de 1999. A grande virtude de DK 64 é a ousadia, cabe ao jogador se apegar aos momentos que ele mais curtiu do jogo e valorizá-los. Até nisso esse game é grandioso, nos acertos e nos erros.

Nota: 9.0 ( como dito, muito da nota vai pela intenção)

Vídeos: Aqui temos o rap inicial, que é sensacional. Um vídeo de 4s que é apenas o barulho se ouve toda vez que se pega uma banana, e um pouco do gameplay

 

Minha querida (e conturbada) Sputnik

Por Leonardo Yamamura

– Entendo o que quer dizer com precário. Às vezes eu me sinto tão… sei lá… sozinha. O tipo de sentimento de impotência quando tudo o que se está acostumado foi despedaçado. Como se não houvesse mais a gravidade, e eu fosse deixada à deriva no espaço sideral. Sem a menor idéia de para onde estou sendo levada.
– Como um pequeno Sputnik perdido?
– Acho que sim. (pg. 73)

Na sexta-feira chegou o primeiro livro do Murakami que ganhei de aniversário. Havia me apaixonado completamente pelas sinopses dos livros – todos eles – e pedi os três mais baratos no Estante Virtual. Minha querida Sputnik, Do que eu falo quando falo de corridas e Após Anoitecer. Eu não tenho, não tinha o hábito de ler livros por autores. Leio livros pelo que falam, pelas sinopses, por mim mesmo. E pelos títulos, claro. Se dizem pra não julgarmos o livro pela capa, eu digo: julgue o livro pelo título.

E Minha querida Sputnik me roubou o coração pelo título e por algumas sinopses não oficiais que li por aí (a do blog Livros Abertos em especial).

Em verdade sabia muito pouco do livro, e pretendo continuar assim até ler todos os três que comprei e o quarto que vão me emprestar. Quero ver até que ponto consigo me surpreender com a leitura deles como me surpreendi com Sputnik.

Como havia dito, não era de fazer leituras por autores. Pois antes de você ler o que tenho a dizer sobre esse livro em especial, saiba que eu também não tenho o hábito de ler os livros em ordem cronológica de publicação, ou de resenhar livros. Aqui contém simples e puramente minhas impressões ligeiramente afetadas.

A história

O livro é narrado por K, japonês de meia idade, professor do fundamental que reside em Tóquio. Do começo ao fim da história, lidamos em suma com duas personagens além de K: Sumire (violeta em japonês), ex-colega de faculdade de K que sonha em ser romancista e escreve páginas e páginas (e devora outras tantas – no sentido figurado) todos os dias sem muito sucesso até um dia conhecer Miu, empresária de sucesso 17 anos mais velha que Sumire, importadora de vinhos e jovens artistas-revelação do exterior.

A narrativa cronologicamente se situa a partir desse encontro e da paixão desperta por Miu em Sumire por quem desde o início percebemos que K nutre o mesmo sentimento especial. Um triângulo amoroso rodeado por livros, vinhos, viagens e música clássica.

Antes de chegar a metade do livro, decidi colocar uma trilha sonora. As personagens falam tanto de música clássica e eu tinha logo uma referência nipônica de música clássica! É o dueto DEPAPEPE, que lançaram dois álbuns com várias peças ou partes mais famosas desses classudos tocadas somente com o violão.


Os focos

onírico
(grego óneiros, -ou, sonho + -ico)
adj.
Relativo a sonhos. = SONIAL

To digerindo a leitura até agora. O livro chegou na sexta-feira pelo correio, eu matei minha aula de japonês entretido na leitura, tirei um cochilo quando cheguei na metade e terminei pouco depois de meia-noite. Eu não sabia – não esperava – que a história ia por águas tão turvas, afinal o que mais me surpreendeu foi o principal foco da história ser, para mim, o caráter “onírico” da escrita de Murakami.

O que eu quero dizer é o fato dele misturar em seus textos a realidade com o mundo dos sonhos. Lá pelas tantas nos deparamos com Sumire nua, abrindo uma porta e se vendo sobre uma torre muito alta, rodeada por pequenos aviõezinhos de madeira com motor do tamanho de um dedo se transformando em libélulas. É. E eu não tinha ideia que ele faria isso com o roteiro (e com meu cérebro). Sem contar a cena da Roda Gigante, muito famosa e que é indispensável lá pro 1/3 final da história.

Sputnik (Companheiro de Viagem, em Russo.)
(palavra russa)
s. m.
1. Série de 10 satélites colocados em órbita pela U.R.S.S., de 1957 a 1961, por meio de foguetões e providos de aparelhos científicos registradores e emissores capazes de abrigar seres vivos.
2. Satélite artificial.

O que me ganhou na história e em todas as outras que venho fazendo recentemente é a questão muito bem expressa na literatura sobre o lugar do ser humano, sobre sua essência, do local de onde fala e como se mostra no nosso tempo. Graças aos céus nipônicos esse é o outro principal foco que sinto na obra.

As falas – e o porquê de Sputnik – pegam exatamente nesse ponto. É um encanto, especialmente quando descobrimos o porquê do título do livro (não disse? eu disse).

Pontos negativos, pontos positivos e se vou ou não queimar o livro

Eu me desapontei levemente sim, não vou mentir. Li um livro arrebatador no começo deste ano que mudou a forma que encaro os livros, a realidade e tudo o mais e esperava passar por isso de novo com Murakami. Acredito que eu choquei um pouco com o “momento” da obra no que diz respeito aos sonhos. E talvez por ter lido o livro de uma vez, tenha tido a impressão não tão exata que o autor se vale dessas referências oníricas pra se safar da responsabilidade de amarrar todas as pontas da história. E que, devidos a prazos ou sabe-se lá o porquê tenha enfiado as explicações perfeitamente inventadas dos nossos sonhos na inteligibilidade da mesma trama na realidade. Sem contar a repentina saída de cena de Sumire para, de forma muito deslocada, sermos levados à cabine de um guarda de supermercado, junto a um aluno, sua mãe e K e o fato de o livro ter sido traduzido do inglês, não do japonês como a maioria das outras obras publicadas por aqui.

Apesar dos pesares, a edição que comprei vem com o mais que demais selo Alfaguara da editora Objetiva e suas folhas de material forte porém leve, no tom amarelo que só quem lê durante horas ao lado de uma luminária entende como indispensável. A diagramação do livro (de todos que saem com o mesmo selo, na verdade) e a capa parecem ter sido pensadas com especial carinho. A leitura não cansa em resumo.

E sobre a história em si, o livro me ganhou mesmo com os trechos em que as falas fazem analogia à Sputnik ou em que as personagens refletem sobre si. Ah, e não posso me esquecer também do jogo que existe ao longo da obra que nos obriga a deslocar o olhar: alguns capítulos são cartas inteiras ou fragmentos das que Sumire envia a K. e em outros são trechos datilografados do diário também de Sumire que nos possibilitam ver na prática se os elogios despedindos pelo personagem principal fazem jus à “verdade”.

Enfim: não vou queimar o livro. Valeu a pena, me fez refletir, acalantou meu pobre coração em alguns momentos e acredito que me inseriu no estranho mundo da realidade-irmã-gêmea-dos-sonhos. Mais importante, é daqueles livros que eu sei que vou ler de novo, ou melhor, sei que terei vontade de.

No mais, que venha as outras obras de Haruki Murakami.

P.S.: Depois de terminar a leitura eu reuni alguns trechos que me chamaram atenção ao longo da leitura aqui.

Daytripper: sobre momentos

Por Juliana Fernandez

Às vezes gostamos tanto de algo que chega a ser difícil falar sobre o objeto que gera tamanha afeição em nós. O objeto pode ser algo ou alguém, às vezes os dois. Tenho uma lista interminável de coisas e pessoas que estimo tanto, tanto, ao ponto de ser difícil explicar o motivo por detrás do sentimento. Hoje me aterei à falar apenas sobre uma delas: Daytripper, uma das minhas graphic novels preferidas e também uma das mais importantes em minha – atualmente – curta existência.

A obra é mais uma parceria de Fábio Moon e Gabriel Bá. Ambos quadrinistas,os irmãos são parte do que há de melhor nos quadrinhos no mundo, sendo os primeiros brasileiros a ganhar um Eisner Award (melhor série limitada ou arco de história) pelo assunto de todas essas palavras enfileiradas aqui. Já conhecia o trabalho da dupla, mesmo só possuindo os dois ótimos volumes de The Umbrella Academy, escrita por Gerard Way – é, o vocalista do My Chemical Romance – e ilustrada por Bá. Sendo assim, fiquei curiosa desde o momento no qual li uma nota sobre Daytripper na internet, e a arquivei em um espaço do cérebro reservado para todas as leituras que gostaria de ter em um futuro próximo ou nem tanto, e quem sabe, um dia tirá-la de lá (o que ainda não acontece com a frequência que gostaria).

O daytripper do título é Brás de Oliva Domingos (que fisicamente lembrou-me muito Chico Buarque) e em dez capítulos – já que originalmente a graphic novel foi dividida em dez edições e lançada como série limitada pelo Vertigo, um dos selos da DC Comics – são retratados alguns dos momentos mais importantes de sua vida. Cada capítulo tem como nome a idade de Brás durante o momento de sua história a ser contado. Em uma narrativa não-linear, acompanhei Brás durante seu primeiro beijo, seu reencontro com um amigo até então desaparecido, o nascimento de seu filho, sua velhice e sua relação com seu pai. Em cada uma das dez partes, nós vemos o que Brás se tornou ou o que viria a se tornar. No primeiro, Brás tem 32 anos é um obituarista, se tornando um escritor anos depois… Ou não. Cada capítulo termina de maneira que torna impossível um – ou todos – dos futuros apresentados nos demais. Em cada fim, um obituário diferente.

E esse é um dos motivos por Daytripper ser tão boa.

Assim como nós, Brás tem seus momentos especiais – acredite, isso parecia muito menos piegas em minha cabeça do que aqui –, como posso explicar… Todos nós temos pequenos momentos brilhantes, mágicos, históricos. Assim como temos os grandes, que mudam nossa vida para melhor ou não. Ao ver Brás passar por eles, e vê-los terminar de maneira tão brusca e amarga, é uma tarefa árdua não pensar um pouco em sua própria vida durante a leitura.

Entretanto, só conheci Brás no fim do ultimo ano, quando viajei para São Paulo com minha família. Na época, uma pessoa muito importante para mim estava muito doente, e nós estávamos indo visitá-la. Pela primeira vez durante muito tempo, eu não estava feliz por sair de Cuiabá e passar alguns dias na maior cidade do Brasil. Minha pessoa preferida do mundo inteiro estava com câncer, e desde que ela fora diagnosticada com a doença, me sentia cada vez mais culpada por todos os instantes que não estive com ela.

Na véspera de Natal, Daytripper chegou a minhas mãos através dessa pessoa. Basta dizer que devorei cada página, em poucas horas havia terminado a graphic novel (em inglês, porque lamentavelmente a edição em português estava esgotada).

Na versão que possuo, nas ultimas paginas se encontram alguns dos primeiros desenhos que Moon fez para a obra. Segundo ele, os desenhos eram uma tentativa de explicar que Daytripper seria uma história sobre momentos serenos, pacatos, silenciosos.

It would be about what you can tell from somebody’s eyes.

An exchange of looks.

A smile.”

E é exatamente sobre isso que Daytripper é sobre, e nesse ponto, a graphic novel – ou quadrinhos, se preferir – se afasta das demais de sua categoria. A maneira com que cada pequeno ou grande momento – porque eles acontecem – é retratado, lembrou-me muito do diretor americano Wes Anderson, cuja sensibilidade ao retratar momentos que nós costumamos classificar como relevantes e irrelevantes fez sua fama, e essa opinião não é só minha, mas também do Martin Scorsese (você pode ler algumas palavras do diretor sobre o colega de profissão aqui).

No inicio de fevereiro, reli Daytripper mais uma vez, mas daquela por um motivo diferente. Precisava escrever a mensagem a ser colocada no santinho de luto, para ser entregue após a missa de sétimo dia. Minha melhor amiga havia falecido, e os obituários escritos por Brás de Oliva Domingos eram o mais próximo que eu possuía como exemplo.

Após fevereiro, só voltei a colocar minhas mãos em minha edição ontem, para escrever esse texto. Ainda não tive coragem para abri-la, mas talvez eu releia mais uma vez essa tarde.

Ao contrário do que possa parecer, Daytripper não é feita de papel impresso, mas de momentos, possibilidades, escolhas, e principalmente, de vida. Daqui à décadas, provavelmente lembrarei dela, assim como não esquecerei os fantásticos pequenos momentos que compartilhei com uma das mulheres que me criou.

Nota: 10

Os Beatles tem uma música de mesmo nome, e como qualquer outra música do Fab Four, vale a pena ouvir:

O Guia do Mochileiro das Galáxias: um clássico sobre planetas, grandes questões e toalhas

Por Lorena Krebs

Tão essencial quanto ter um guarda-chuva a mão em um dia chuvoso, é ter uma toalha, mas não apenas em dias chuvosos, seja lá qual for o tempo e em qualquer lugar do espaço, ou pelo menos é isso que afirma o Guia do Mochileiro das Galáxias, um dos melhores livros de ficção científica lançado nos últimos tempos.

O pedido, mais do que justo, “não deixe a Terra sem ele”, é atendido de uma forma espetacular quando Douglas Adams, o escritor que passava mais tempo fazendo qualquer outra coisa do que escrevendo, transforma a aclamada série de rádio em uma trilogia de quatro livros. Mas, por partes, só se pode falar do todo depois de falar do começo.

A história d’O guia do mochileiro das galáxias começa em um longínquo e inofensivo ponto do espaço, num planeta que gira em torno do sol e é cheio de habitantes estranhos e infelizes, que buscam incessantemente pela resposta do por que existem, ou qualquer outro porque que ocupe a mente deles.

Acontece que, este planeta em questão, conhecido por alguns como Terra, era tão insignificante para todo e qualquer habitante do resto da galáxia, que poderia muito bem deixar de existir e dar lugar a um novo, e tremendamente necessário, desvio. E, ao mesmo tempo em que o fim da Terra se aproximava, Arthur Dent, um terráqueo que não tinha a menor ideia do que se passava fora da órbita da Terra – e, alias, não tinha a menor ideia de que poderia ter vida fora da órbita da Terra – só pensava em impedir que demolissem sua casa para, imaginem só, construir um desvio, também extremamente útil.

E é nesse contexto que Adams nos apresenta ao protagonista desta história, Arthur Dent, um inglês que não apresenta nada de extraordinário – mas que mesmo assim conseguiu um lugar dentre os meus protagonistas preferidos – as reações, praticamente inofensivas, que ele apresenta diante das coisas que ele pensava serem impossíveis é retratada de uma forma divertida, e fica evidente que, se o personagem não fosse tão comum e “preocupado”, como ele é, essas situações não teriam tanta graça.

A pessoa responsável por levar Dent a conhecer as maravilhas do Universo é um alienígena simpático de Betelgeuse, que veio para passar uma semana na Terra e acabou preso nesta por 15 anos, seu único objetivo era colher informações sobre a Terra para o Guia do Mochileiro das Galáxias – informações essas, devo acrescentar, de suma importância – e para tal fim, adotou um nome que julgou ser bem comum e que passaria despercebido, Ford Prefect.

Após a destruição da Terra é que de fato passamos a conhecer um pouco mais das galáxias, e dos seres que habitam nestas, como é o caso de Zaphod Beeblebrox, primo de Ford e atual presidente da Galáxia, que possui um ego maior que suas duas cabeças. Há também outro ser humano na história, mas que saiu da Terra muito antes que essa fosse “demolida”, Trillian (ou Tricia) McMilian e um robô depressivo – que, de alguma maneira estranha, me faz lembrar o Sheldon Cooper, de TBBT – Marvin, que veio junto à nave de improbabilidade que estes roubaram.

E, não entrem em pânico, além de personagens ímpares, é possível ter a resposta para a grande questão da Vida, do Universo e Tudo o Mais, mas isso não significa necessariamente que você irá entendê-la, até porque, aparentemente nunca foi formulada a pergunta certa na qual a resposta irá se encaixar.

Em suma, O Guia do Mochileiro das Galáxias é um livro que traz consigo pitadas de ironia e um humor inteligentíssimo, principalmente no que diz respeito a referências à humanidade e seus problemas. Nem por isso, é claro, irá agradar a gregos e troianos, mas sempre irá instigar para saber um pouco mais.

Wide Awake: O choque entre o conto de fadas e a realidade

A origem do conto de fadas remonta ao período medieval e sua propagação e vivência, até a contemporaneidade, só foi possível através da tradição oral dos camponeses. Longe do halo dos filmes da Disney, com princesas doces, ambientes encantadores e finais felizes para sempre, os contos possuíam um teor voltado ao publico adulto e pautava temas como incesto, estupro e canibalismo.

Acredita-se que esses contos tenham sido escritos com contornos tão tenebrosos na intenção de reforçar os valores morais apregoados na época e alertar as “boas moças” para os perigos que, potencialmente, as circundavam. Depois, a partir do final do século XVII, com Charles Perrault e, posteriormente no século XIX com os Irmãos Grimm, os contos começaram a ser compilados, escritos e depurados como “histórias para crianças”. Assim sendo, há mais de um século estamos sendo alimentados por uma visão muito mais sensível e delicada da realidade, uma espécie de válvula de escape para problemas que, muitas vezes existem desde a tenra idade e só podem e devem ser enfrentados de frente.

É neste contexto, com ares contemporâneos de contos de fadas, que nossa heroína Katy Perry percorre um labirinto escuro em busca de sua Pasárgada no vídeoclipe “Wide Awake”, que marca o encerramento de seu álbum Teenage Dream (2010). Se você ainda não o assistiu, clique no play abaixo porque este post contém spoilers!

Logo inicialmente podemos perceber que a personagem está perdida em meio a inúmeras escolhas a despeito de qual caminho seguir, por qual passagem adentrar. Por sorte – ou azar – ela encontra numa das paredes de pedra que a circundam um vistoso morango, que chama atenção pelo vermelho pulsante num cenário de escuridão. Ingênua – e, talvez, cega – ela o come; “semioticamente” falando, podemos deduzir que, na verdade, ela se apaixona. Isso fica claro ao recorrermos à simbologia por detrás da cor vermelha, que pode representar desde paixão à raiva, além da própria simbologia contida na figura do morango e seu sabor agridoce – o amor pode ser doce, mas também muito amargo.

Katy, possivelmente acreditava que isso traria alguma espécie de raiz, ou ponto fixo em que ela pudesse se apoiar, uma vez que canção diz “Yeah, I was in the dark/ I was falling hard”, mas se dá conta de que “That everything you see/Ain’t Always what it seems” e, mais: “I wish I knew then/What I know now (…) You made it so sweet/ Till I woke up on the concrete”. Apesar de Katy negar que as letras de suas duas últimas músicas de trabalho não façam menção ao breve casamento com o humorista Russell Brand, fica difícil não reconhecê-lo em suas letras altamente confessionais. Essa sensação ainda é reforçada porque é a cantora mesmo quem escreve as canções.

Dando sequência aos acontecimentos dentro de seu “conto de fadas”, a personagem principal, como se pedisse socorro, lança um sinalizador de fogo que emana de seu peito (nem toda semelhança com seu outro vídeo clipe Firework é mera coincidência) queimando o céu em busca de ajuda. Eis que surge Katheryn, uma garotinha que não só lembra a cantora fisicamente, como, mais tarde, temos a comprovação de que é ela mesma: Katheryn Elizabeth Hudson, vulgo Katy Perry. Enquanto ambas se encontram e se conectam, a música diz ao fundo “I’m wide awake/Need nothing to complete myself, no”.  A personagem conta com a ajuda de seu alter ego mirim para enfrentar o assédio de “paparazzi em pele de Fred Krueger” e, mais tarde, bastante debilitada por experimentar o “fruto”, para enfrentar seus próprios instintos.

Digo “instintos” porque, procurando uma compreensão para duas figuras humanas com cabeças de bois que impedirão Katy e Katheryn de seguirem com a peregrinação, encontramos no Dicionário de Símbolos (1994) de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, a explicação de que o animal representa as camadas profundas do inconsciente e instinto; representa a besta que habita em nós. Contrapondo-se a esse lado de “vícios” e costumes é Katheryn, com sua coragem perante o desconhecido e sabedoria pura, quem derrota os “guardiões” libertando, num mesmo ato, a nossa amante do definhamento numa cadeira de rodas. Katy, que vem cantando e repetindo “I’m wide awake”, transpassa mais esse obstáculo e tem a chance de comprovar que, de fato, está bem acordada.

Diante de um cenário digno de Tim Burton, a personagem encontra seu “príncipe encantado” a esperando em cima de um cavalo branco. Oras um conto de fadas contemporâneo perfeito, não?! Ledo engano. A princesa heroína saca as intenções fajutas desse marmanjo e comprova que as experiências amorosas vividas no “labirinto do coração” não a deixarão repetir os mesmos erros. E é aí, frente a frente com o sujeito, que se dá a sequencia de um dos momentos mais marcantes e de epifania do vídeo: o soco. AH! A nossa heroína encantada – não mais tão encantada assim – parece ter lido os contos de fadas da era medieval!

Para além do vídeo, confesso: como é bom se sentir vingado. Obrigado Katy Perry, por essa sensação de catarse! Por representar num ato tão “repugnante” um afastamento de uma ideia que não nos ludibria mais! É libertador, afinal, quantos de nós já não nos deparamos com “eu te amo” forjado? A dor física, muitas vezes, é até uma via de fuga para diminuir a dor causada por sentimentos e ideias falsas. Aplausos. Esse tipo de príncipe que dá beijo de dedos cruzados nunca deveria ter saído de seu brejo – e, convenhamos, há muitas pererecas, que não ficam para trás.

O clipe segue sua reta final e, Katy-heroína-personagem-Perry finalmente encontra seu lugar de paz, tranquilidade; um sol cintila no céu, sobrevoando o labirinto tortuoso que a levou até onde ela está, hoje, com todos os seus “pedaços reunidos” e debaixo de próprios pés. Despede-se de sua companheira Katheryn que, de bicicleta, não vai para muito longe; sempre que precisar dela, ela estará por alí, para ajuda-la outra vez. De volta de seus devaneios “conto de fadas”, Katy surge como se nada tivesse acontecido, entoando a deliciosa canção “Teenage Dream”. Ela está de volta, aparentemente a mesma de sempre, só que diferente.

Ao final do videoclipe, percebemos que estamos diante de um roteiro longe de ser original; mas que pela simbologia, parece dialogar perfeitamente com o atual contexto da artista. Soa verdadeiro: Katy nos fala sobre o seu conto de fadas, mostrando que nem todo feliz é desde sempre, mas que o para sempre pode ter sim um final feliz – ou, ao menos, não devemos perder esse lado de fantasias durante a nossa vida, contudo, estejamos acordados -. Outro ponto louvável fica por conta da direção de Tony Truand e produção impecáveis: uma fotografia fantástica ornando e unindo belos tons sombrios a doces ambientes coloridos. A esta altura, elogiar a beleza da cantora é um “detalhe” que não nos pode passar despercebido, uma vez que, ela consegue se superar a cada nova cor de cabelo. Linda.

Do “Conto de Fadas Wide Awake”, no contexto do mês dos namorados, podemos tirar algumas boas lições: 1) antes de tudo, vem o amor próprio; 2) ainda que tenhamos esposas, filhos, maridos, haverá algo que será só nosso, uma espécie de “solidão”, a qual ninguém poderá completar; 3) eu quase posso escutar minha avó dizendo “antes só do que mal acompanhado”; e, por fim 4) tenha medo de se envolver com Katy Perry. Desde “One of the Boys” (2008) ela faz “cantigas de escárnio” satirizando seus relacionamentos “(…) You’re so gay and you don’t even like boys (…)”. Pela frente, Perry enfrentará o mundo das telonas com seu documentário/show “Katy Perry: Part of Me 3D”, que tem previsão de estreia, no Brasil, em agosto. Abrindo ainda mais espaços para expor sua vida, a cantora também deixa brechas para receber críticas. No entanto, como aprendemos com os contos de fadas da vida real, às vezes, não há válvula de escape melhor que enfrentar os problemas de frente; Katy faz isso encantadoramente com maestria, recordes e bom humor.

Créditos a: Brendon Guthierrez