Fernando Sabino

Por Lorena Krebs

Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino” – Fernando Sabino

 

Fernando Sabino era assim, não precisava nem querer ser, que por natureza ele já era um menino. Seus livros refletem a simplicidade e a leveza que ele carregou consigo durante a vida.

Deparei-me com uma obra dele em meio a tantas outras de linguagem rebuscada e de um contexto do qual eu não fazia parte. E, é claro, obras essas que eu não gostava nem um pouco, apesar de serem clássicos. Machado de Assis, por exemplo, foi um dos autores que eu quis bem longe da minha vista um bom tempo. A leitura era quase que obrigatória devido a provas, mas isso não fazia com que todos lessem, e, ainda assim, dos livros que eu li naquela época, “O menino no espelho” parecia quase um presente.

Aquelas páginas conseguiram resumir boa parte dos sonhos de infância, e ao mesmo tempo dava asas à imaginação, reunia aquela sensação de que um dia, quem sabe, pudesse dar certo, por que não? Poderia muito bem acordar um dia e deparar com uma cópia quase perfeita, ou voar junto aos pássaros sem estar, de fato, dentro de um avião.

E essa, era apenas uma, dentre suas inúmeras obras. Com uma escrita viva e cativante, Sabino conseguiu, e ainda consegue, atrair muitos admiradores, que vivenciam cada palavra ali grafada, que mergulham em um mundo que parece lhes pertencer e, a cada lugar que Viramundo (O Grande Mentecapto) ia, o desejo era de estar ali, não apenas como um simples observador, mas como um figurante que fosse, apenas para poder falar que já fez parte de alguma peripécia que este, tão inocentemente, cometia.

Com obras tão ricas de detalhes, composta por contos, crônicas e romances, conquistava não apenas pelas obras fictícias, mas também pela realidade a qual relatava em suas crônicas, contando de suas viagens pelo mundo, e quase nos fazendo acreditar que o perigo não era tão constante assim devido a pitadas de humor e deslizes que apenas o criador de Viramundo cometia.

É difícil quem não se apaixone por literatura brasileira ou não lamente que as aulas de literatura não foquem também em autores como Fernando Sabino, que, não desmerecendo Assis, mas é tão importante quanto.

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