Prometheus: próximo à perfeição

Por Juliana Fernandez

Há 33 anos, o filme Alien ajudou a formar o que hoje chamamos de ficção cientifica. Dirigido por Ridley Scott – que dispensa apresentações –, o longa-metragem foi sucesso de publico e critica, concretizando um gênero e alavancando a carreira de seu diretor. Como a maioria dos sucessos, houve sequencias: o ótimo Aliens (lançado em 1986, dirigido por James Cameron), o mediano Aliens 3 ( de 1992, direção de David Fincher) e mais três filmes, sendo os últimos dois uma parceria com a franquia Predator.

No inicio da década passada, Scott e Cameron desenvolveram ideias para um novo filme da franquia, dessa vez uma prequel (uma sequencia cuja história pertence ao passado cronológico da saga).  Porém, a 20th Century Fox preferiu outro projeto, o longa-metragem Alien vs. Predator (lançado em 2004, dirigido por Paul W. S. Anderson), que mesmo com as criticas negativas, viria a ter uma sequencia – Alien vs. Pretador: Requiem, dirigido pelos irmãos Strause e lançado em 2007. Durante esse tempo, Cameron desistiu da prequel e investiu em outros projetos, um deles era uma ideia antiga, um script de 1995 que se tornou um filme chamado Avatar.

Em 2009, a 20th Century Fox voltou a desenvolver o projeto, e como da vez anterior, Ridley Scott demonstrou interesse. O projeto em questão é o longa-metragem Prometheus, lançado na America do norte semana passada – por algum motivo, no Brasil apenas pré-estreou na mesma data –, dirigido por Scott, sendo um dos filmes mais aguardados do ano, em um ano cheio de estreias esperadas (já tivemos os ótimos Vingadores e Jogos Vorazes, ainda teremos o novo Homem-Aranha, o ultimo Batman de Nolan e a primeira parte de O Hobbit).

O elenco de Alien e o de Prometheus, uma diferença de três décadas nas quais a tecnologia avançou como nunca antes.

A história se passa em 2089, quando os arqueólogos Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green, aparentemente o gêmeo perdido do também ator Tom Hardy) encontram determinado padrão em pinturas antigas. O padrão é, na verdade, um mapa estelar para um planeta distante, que pode conter informações sobre a origem do ser humano. Bancados pelas indústrias Weyland, eles viajam até o tal planeta em uma nave que se chama… Isso mesmo, Prometheus. Na mitologia grega, Prometeu é um titã que roubou o fogo de Zeus e o deu aos mortais, sendo severamente punido por tal ato, o que pode se aplicar aos tripulantes da espaçonave (curiosamente, existe outra nave de mesmo nome na série Stargate SG-1).

A primeira coisa que se nota no filme é sua beleza estética, que é de tirar o fôlego. O superestimado 3D é muito bem utilizado e durante as duas horas e cinco minutos do longa-metragem, não houve um segundo sequer no qual os efeitos visuais, a fotografia, o figurino e a maquiagem decepcionaram. Visualmente perfeito. Os efeitos sonoros são excelentes e dão o tom necessário nas diversas cenas de suspense do filme.

Os atores também não desapontam. Noomi Rapace – a Lisbeth Salander da primeira e ótima versão de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres –, está muito bem como Shaw, sendo a protagonista, posto que já foi ocupado por Sigourney Weaver. Sua boa atuação é visível em várias cenas, porém, seu melhor é a do – por falta de nome melhor – parto. Seu medo, repulsa e dor chegam a infectar o expectador. Charlize Theron – quase tão bem quanto em Branca de Neve e o Caçador, que ainda está nos cinemas e que resenhei aqui – interpreta Meredith Vickers, que a principio parece ser apenas a monitora enviada pelas indústrias Weyland, entretanto se mostra ser muito mais que isso ao longo do filme.

Já Michael Fassbender – famoso pelo papel de Magneto em X-Men: Primeira Classe e sua parceria com o diretor Steve McQueen – rouba a cena como o androide David, que cuida da espaçonave durante a viagem até o planeta e tem uma curiosa fascinação pelo filme Lawrence da Arábia, chegando a imitar o visual de Peter O’Toole. É notável a transformação da personagem, que aos poucos começa a desenvolver aspectos humanos – neste ponto, ele se distancia dos androides da franquia Alien e se aproxima dos retratados em Blade Runner, também dirigido por Scott – , e acaba por secretamente colocar a tripulação em risco. Guy Pearce, Idris Elba e Logan Marshal-Green tem boas atuações, mas são eclipsados pelos três atores principais a maior parte das vezes, e algumas pelo próprio rumo que a história toma.

Peter O’Toole em Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia no original, de 1962) e Michael Fassbender em Prometheus (2012).

Em certo momento do filme, o visual da personagem de Rapace lembra muito Milla Jovovich em O Quinto Elemento, entretanto, se existe um filme que Prometheus realmente presta homenagem, este é o já citado Alien de 1979. Mesmo com diretor, roteiristas e produtores tentando afastá-lo do clássico do fim da década de setenta, as semelhanças vão desde personagens até cenas clássicas.

Milla Jovovich em O Quinto Elemento (The Fifth Element, de 1997) e Noomi Rapace em Prometheus (2012)

Prometheus tinha tudo para ser – e talvez seja –, o melhor filme de ficção cientifica lançado nesse inicio de milênio (talvez melhor até que Avatar, que é visualmente lindo, mas de um roteiro medíocre comparado à grandiosidade do resto), se não fosse o roteiro. Primeiro escrito por Jon Spaihts – roteirista do ruim The Darkest Hour, de 2011 – e depois aprimorado por Damon Lindelof – escreveu o roteiro de Cowboys&Aliens, mas ficou famoso por escrever e produzir a série Lost. Talvez seja o ultimo o responsável pelo resultado um tanto insatisfatório.

Ao contrário dos demais longa-metragens da franquia, Prometheus é o primeiro a não dar ênfase na personagem Xenomorph ( o alien que os filmes se referem nos títulos), e o mistério do filme gira entorno do Space Jockey ( aqui chamado de Engenheiro), que no primeiro Alien aparece ao fundo, como um grande exoesqueleto humanoide em uma cadeira gigante. As questões surgem aos poucos…Quem era o Engenheiro? O que aconteceu com ele? De onde ele veio? E a principal questão: de onde nós viemos?

Elas não são respondidas, e quem conhece o trabalho de Lindelof, fãs de Lost ou não, sabem de certa mania dele enquanto roteirista: criar questões e deixá-las sem resposta. Não sei se ele tem enorme dificuldade em amarrar pontas soltas ou apenas gosta de fazer o expectador de idiota, não me importa, entretanto é de se esperar mais do roteiro de um filme que levou tanto tempo em sua pré-produção.

O fim do filme – que chegou a me agradar, apesar de tudo – dá a entender que haverá uma continuação, que não é o Alien dirigido por Scott. Só nos resta esperar e depois ver se as duvidas foram respondidas ou não no próximo (ou próximos, no plural mesmo) filme.

Com a direção afiada de Ridley Scott, Prometheus é praticamente impecável, valendo cada centavo gasto no ingresso. Agradará não só os fãs de Alien, mas também os fãs do bom cinema, um daqueles filmes que você assiste mais de uma vez, sempre saindo extasiado da sala de cinema.

Nota: 9.0

O filme teve uma grande campanha publicitária, com vídeos virais ótimos. Abaixo está o meu preferido, que introduz o personagem David (Fassbender) e logo em seguida sua paródia, Joel (interpretado por Joel McHale, para o “The Soup”).

E alguns dos posters feitos por fãs, um caso no qual o fanart ficou melhor que o pôster original.

E para quem já assistiu:

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