O Guia do Mochileiro das Galáxias: um clássico sobre planetas, grandes questões e toalhas

Por Lorena Krebs

Tão essencial quanto ter um guarda-chuva a mão em um dia chuvoso, é ter uma toalha, mas não apenas em dias chuvosos, seja lá qual for o tempo e em qualquer lugar do espaço, ou pelo menos é isso que afirma o Guia do Mochileiro das Galáxias, um dos melhores livros de ficção científica lançado nos últimos tempos.

O pedido, mais do que justo, “não deixe a Terra sem ele”, é atendido de uma forma espetacular quando Douglas Adams, o escritor que passava mais tempo fazendo qualquer outra coisa do que escrevendo, transforma a aclamada série de rádio em uma trilogia de quatro livros. Mas, por partes, só se pode falar do todo depois de falar do começo.

A história d’O guia do mochileiro das galáxias começa em um longínquo e inofensivo ponto do espaço, num planeta que gira em torno do sol e é cheio de habitantes estranhos e infelizes, que buscam incessantemente pela resposta do por que existem, ou qualquer outro porque que ocupe a mente deles.

Acontece que, este planeta em questão, conhecido por alguns como Terra, era tão insignificante para todo e qualquer habitante do resto da galáxia, que poderia muito bem deixar de existir e dar lugar a um novo, e tremendamente necessário, desvio. E, ao mesmo tempo em que o fim da Terra se aproximava, Arthur Dent, um terráqueo que não tinha a menor ideia do que se passava fora da órbita da Terra – e, alias, não tinha a menor ideia de que poderia ter vida fora da órbita da Terra – só pensava em impedir que demolissem sua casa para, imaginem só, construir um desvio, também extremamente útil.

E é nesse contexto que Adams nos apresenta ao protagonista desta história, Arthur Dent, um inglês que não apresenta nada de extraordinário – mas que mesmo assim conseguiu um lugar dentre os meus protagonistas preferidos – as reações, praticamente inofensivas, que ele apresenta diante das coisas que ele pensava serem impossíveis é retratada de uma forma divertida, e fica evidente que, se o personagem não fosse tão comum e “preocupado”, como ele é, essas situações não teriam tanta graça.

A pessoa responsável por levar Dent a conhecer as maravilhas do Universo é um alienígena simpático de Betelgeuse, que veio para passar uma semana na Terra e acabou preso nesta por 15 anos, seu único objetivo era colher informações sobre a Terra para o Guia do Mochileiro das Galáxias – informações essas, devo acrescentar, de suma importância – e para tal fim, adotou um nome que julgou ser bem comum e que passaria despercebido, Ford Prefect.

Após a destruição da Terra é que de fato passamos a conhecer um pouco mais das galáxias, e dos seres que habitam nestas, como é o caso de Zaphod Beeblebrox, primo de Ford e atual presidente da Galáxia, que possui um ego maior que suas duas cabeças. Há também outro ser humano na história, mas que saiu da Terra muito antes que essa fosse “demolida”, Trillian (ou Tricia) McMilian e um robô depressivo – que, de alguma maneira estranha, me faz lembrar o Sheldon Cooper, de TBBT – Marvin, que veio junto à nave de improbabilidade que estes roubaram.

E, não entrem em pânico, além de personagens ímpares, é possível ter a resposta para a grande questão da Vida, do Universo e Tudo o Mais, mas isso não significa necessariamente que você irá entendê-la, até porque, aparentemente nunca foi formulada a pergunta certa na qual a resposta irá se encaixar.

Em suma, O Guia do Mochileiro das Galáxias é um livro que traz consigo pitadas de ironia e um humor inteligentíssimo, principalmente no que diz respeito a referências à humanidade e seus problemas. Nem por isso, é claro, irá agradar a gregos e troianos, mas sempre irá instigar para saber um pouco mais.

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