Com um pouco de som – fotografa mostra que não é preciso apenas “o olhar”

Por Lorena Krebs

Toda vez que eu comecei a aprender a fotografar eu escutei sempre a mesma coisa “tem que treinar o olho”. É claro, tem que ter um ângulo legal, tem que enquadrar, ajustar o foco, o zoom, arrumar a lente de uma maneira que a luz fique legal, mas, acima de tudo tem que treinar o olho para aqueles momentos que passam instantaneamente, para aquele ângulo que ninguém mais percebeu, para aquele pequeno detalhe que faz diferença dentro de uma multidão.

Nunca treinei meu olho, mas também nunca revelei boa parte dos meus filmes, quem sabe um dia na velhice eu descubra que eu tinha futuro – deixo pra velhice porque, eu realmente tenho minhas dúvidas quanto as minhas habilidades fotográficas – entretanto, assim como talento pode ser aprendido, pode ser aprimorado, mesmo quando não se tem um dos sentidos mais necessários para tal.

É o caso da norte-americana Amy Hildebrand, que nasceu cega e, após umas cirurgias passou a enxergar algumas cores, sombras e formas, e, mesmo sem uma visão total, fez da fotografia uma das coisas mais importantes de sua vida. Ela decidiu fazer um blog para postar as fotos, a ideia era fazer um blog com 1000 fotos, cada dia, uma foto.

Confesso que a primeira vez que me deparei com esse blog (http://withlittlesound.blogspot.co.uk/) eu não acreditei muito que ela fosse cega – a época não sabia que ela não era mais totalmente cega – ou que as fotos eram livres de qualquer edição, a luz de boa parte das fotos me lembrava uns efeitos muito comuns em programas de edição.  Mas, o nome do blog é realmente algo que diz muito, uma vez que quando um sentido se encontra ausente, ou parcialmente prejudicado, os outros passam a ficar cada vez mais aguçados.

Após algumas pesquisas, até mesmo dentro do blog, dava para perceber a diferença nas fotos, e, diria até uma evolução na forma como ela capturava os momentos de seus dias, passei então a acreditar que talvez não tenha dedo de edição nas fotos, afinal, algumas imagens carregam um ar… não sei, natural demais para terem sido editadas.

E, mesmo não sendo fotografias do Sebastião Salgado, ou do Henri Cartier-Bresson, vale a pena conferir o trabalho, principalmente os últimos meses, os quais, acredito eu, tem as melhores fotos dentre todos os meses que eu vi.

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