Série Fire Emblem: Uma obra-prima pouco reconhecida

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Por Thiago Mattos

No final de 2003 é lançado Fire Emblem, um jogo desenvolvido pela “Inteligent Systems” e publicado no ocidente pela primeira vez, sim, pois no Japão a Nintendo já havia lançado seis jogos da série. O primeiro em 90 para NES, assim como o segundo em 92, três para SNES e um para o Game Boy Advance, apenas no segundo jogo para o console portátil que o mundo pôde experimentar o que os japoneses já conheciam muito bem.

O jogo funciona por Tactical turns, ou seja, você dá ordens a seus personagens no seu turno e depois aguarda as ações do inimigo. Dessa forma a saga nunca exigiu habilidades manuais dos jogadores, apenas inteligência para movimentar competentemente sua tropa. Os jogos carregam características clássicas dos RPG’s, se gasta dinheiro para comprar armas e itens importantes e conforme o personagem vai batalhando e se tornando mais forte, mais desafios vão surgindo. O enredo de cada game é diferente, contudo sempre nos remete a uma época medieval, com muitos elementos religiosos e políticos envolvidos, muita magia, vários vilões sedentos de poder e às vezes criaturas não humanas como dragões e tigres tendo protagonismo na trama.

O grande trunfo de Fire Emblem é a capacidade que os jogos tem de fazer com que o jogador se envolva não só com a história, mas com os personagens em si. Isso se potencializou no último jogo lançado só no Japão (Fire Emblem: Fuin no Tsurugi), quando o sistema de support conversantions começou. Esse sistema consistia em conversas que alguns personagens poderiam ter, caso lutassem num mesmo capítulo e estivessem próximos. Laços afetivos, amizades e até romances poderiam ser desencadeados, podendo mudar a própria história. Esse componente não era apenas para enfeite da história. Tendo um personagem fortes relações afetivas com outro, estes irão lutar bem melhor quando estiverem próximos no campo de batalha. É o chamado “algo mais” por alguém que se tem carinho. Como todo jogo tem dezenas de personagens e cada um com uma personalidade diferente, muitos gamers “piram” na vontade de a cada vez que jogam, incentivarem contatos entre personagens diferentes, pois é necessário zerar o jogo umas dez vezes para desenvolver todos os tipos de relacionamentos possíveis, acredite, quando o jogador se simpatiza por um personagem, ele vai querer explorar todas as alternativas que este personagem oferece. Isso contribui muito para o jogo não enjoar, cada vez que se dá um New Game, você viverá uma experiência diferente.

Esse nuance afetivo que permeia o jogo tem consequências engraçadas. Toda vez que um personagem é derrotado no jogo, ele some da trama (salvo raríssimas exceções). A única maneira de recuperá-lo é recomeçando o capítulo, como é impossível não ter sentimentos em relação a seus units é sempre curioso perceber que para alguns personagens você não “tá nem ai” se ele morre, mesmo sendo poderosos no campo de batalha, enquanto que com outros tem-se uma certa tensão caso eles flertem com a morte.

               

Da esquerda pra direita: A engraçada Mia, o petulante Shinon, o gênio Soren e a patriota Jill, alguns dos coadjuvantes que me agradam demais.

Enfim, como em quase todo RPG, o campo de batalha tem detalhes, como casas para serem visitadas, onde se pode conseguir informações importantes, ou até mesmo armas. E sempre há uma arma que é forte contra outra: espada leva vantagem contra machado, mas fica em maus lençóis quando enfrenta uma lança. Esse tipo de coisa que é batida nesse tipo de jogo. O diferencial de Fire Emblem é sua capacidade de viciar os jogadores seja com a história envolvente, ou com os personagens mais envolventes ainda (aqui me refiro principalmente a Path of Radiance e sua continuação Radiant Dawn) e que despertam a vontade de fazê-los verdadeiras maquinas mortíferas na arte da guerra. Resumindo, se você não conhece Fire Emblem (é bem provável que não conheça), dê uma chance e não desista nas primeiras 10 horas de jogo, é muita informação e alguns já dão o veredito de “jogo chato”, é um jogo que se propõe a trazer uma experiência superior e pouco se importa com as vendas, a Nintendo já tem Mario e Pokémon para vender como água, Fire Emblem é para poucos. É difícil encontrá-los aqui no Brasil e quem não entende inglês “bóia”, contudo eu diria que em Fire Emblem mais que em outros RPGs, pois cada personagem se expressa de maneira diferente, uns tem vocabulário pobre, cheio de contrações, outros utilizam gírias e ainda tem aqueles da nobreza que falam muito difícil. Se eu consegui fazer com que você queira saber mais sobre o jogo, dê uma passada na página Fire Emblem wiki http://fireemblem.wikia.com/wiki/Fire_Emblem_Wikia, página criada pelos fãs para popularizar a saga. Antes veja os vídeos.

Vídeos: A história da saga 

Um exemplo da trilha sonora magnífica

Todos os protagonistas da série:

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“Querida Amy,

em algum lugar da minha imaginação, talvez bem próximo de um pleonasmo, hoje é uma segunda-feira cinza. Há uma leve chuva molhando a terra com seu cheiro característico, e eu prevejo (eu pressinto), que virá um vento frio adentrar a porta e ouriçar os pelos de minhas costas; em algum lugar da minha imaginação, você me olha com seus olhos delineados, intensos, “the ronettes”; o cabelo ao alto “alex foden”, fazendo sombra num quadro floral que orna com a mesinha rústica do telefone, exatamente ao meu lado – direito -. O queixo repousa na palma da mão, fazendo da perna cruzada nua que brota de um de seus vestidos rodados e pregas, o baluarte que suporta a bela escultura, fria e doce tez, do seu rosto. Você está tranquila, curiosa, feliz. Obrigado por me deixá-la observar, assim.

Querida Amy, em algum lugar da minha geladeira (na porta, entre o frasco de ketchup e a garrafa de água), procuro um Martini, que ganhei de uma amiga, aberto no primeiro dia deste ano. Sem pensar muito, pois eu estou determinado a apenas fazer disso um ritual sem porquês, destilo porção da metade restante numa xícara de café e a trago como uma nuvem de flashes, um bolo de angústias amorosas e de conflitos que sempre e só existiram dentro da minha cabeça. Desceu queimando.

Na verdade, apesar de evitar os porquês – é tão mais simples – não me sinto bem em deixá-la sem alguma justificativa; nunca se faz nada por nada. Brindei intimamente pensando em você; brindamos juntos e acho justo que sejamos sinceros um para com o outro. É que você me intimida e eu talvez só consiga verter algumas palavras, se eu estiver (um pouco) menos sóbrio; sempre me faltou coragem para conseguir encaixar os signos e semânticas em seus respectivos lugares, para entender e ouvir o que você diz quando a procuro em Tears Dry On Their Own; e me falta, ainda – muita coragem – para escrever essa breve carta em uma – sua – singela homenagem.  Desculpe-me perturbá-la, depois desse um ano. Passou tão ligeiro…

Desculpe-me, também, por tê-la deixado, com frequência, em segundo plano (e você sempre ali, quando eu mais precisei, em alguma playlist). Como eu já disse e, reitero, você me intimida. A música pop é tão mais fácil! A mente ouve, o corpo escuta, responde e dança. Agora, quando a mente escuta… Bem, os sentimentos se abarrotam, os pensamentos buscam sentidos e a razão vem à tona, tortuosa, algumas vezes, conflituosa. Sinapses, igualmente, se convertem em dolorosas catarses. Desculpe-me deixá-la assim, distante, como uma lembrança triste, que acompanha outras lembranças tristes, num cortejo em luto, Back to Black.

Querida Amy, imagino que o precoce flerte com o jazz e o soul e a predileção natural e determinista por artistas como Frank Sinatra, Dinah Washington, Ella Fitzgerald, Donny Hathaway, tenham lhe pesado nos ombros. Um halo denso e, de algum modo, pesaroso, sempre ronda esse estilo musical… Será que algum dia você foi, de fato, uma criança? Por outro lado, talvez você só tenha alçado tamanha excelência, em virtude desse contato intenso com ambas as vertentes musicais, triviais para lhe lapidar e lhe transformar nessa cantora igualmente profunda, melancólica, genial e, sobretudo, apaixonada.

Sobretudo, apaixonada…   A ponto de se deixar abater por um sentimento viciante, atormentada até o fim, até ser devorada por um dos gumes dessa faca que atravessa o peito, se rendendo a subterfúgios, se fragilizando. Eros não lhe teve piedade: tomou-lhe por inteira, carnal, incontrolável… Blake, seu maior vício, não tardou a tornar-se a porta de entrada para sua constante dependência de outros vícios. Se a droga proporciona a efêmera sensação de liberdade, Blake a libertou, para sempre: dentro de uma caixa de Pandora. E “apesar dos pesares”, ele ainda vive.

Querida Amy, há alguns dias, vi numa dessas postagens de redes sociais, uma imagem com o título “todo mundo tem um amigo:” e sua foto estava lá. Chamavam-na de “doidão” e, eu não sei se, por já pensar que a data de sua partida iria completar dentro de pouco tempo um ano, ou se por me deparar com a realidade de que a mídia constrói e descaracteriza com vetores guiados por interesses e forças diversos, me entristeci. Questionei-me por um tempo, pensando que, embora seus vícios existissem e fossem apurados corriqueiramente pelos paparazzis, você foi uma boa surpresa dentro da contemporaneidade, um fenômeno e uma personalidade irrevogável da música; você é um espírito vivo do jazz se perpetuando ao longo do tempo… Com sua voz rouca, posso ouvi-la lendo em voz alta Cecília Meireles, ainda que nem esse nome, você tenha ousado escutar – não tem problema, nem mesmo os brasileiros a conhecem -. Veja:

Retrato
“Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?”

Amy, em qual tablóide ficou perdida a sua face?

Saiba que, se você se perdeu, você nos levou para esse mundo de perda também. Perdemos uma parte de epifania, de arte, melancolia, refúgio e genialidade. Ficamos órfãos de uma sensibilidade que mãe adotiva nenhuma tem sido capaz de suprir. E eu te olho, só me lembro “zeitgeist”, “zeitgeist”, uma palavra potencialmente intensa, que talvez seja o mais próximo de sintetizar tudo o que você representa, uma porta para sentimentos profundos que soam revolucionários em tempos da chamada “ditadura da alegria”.

Querida Amy, é tão bom pensá-la assim… Viva. E não é difícil, pois escuto suas músicas, neste exato momento. Lamento, porque repentinamente, sinto como se eu pudesse resgatá-la de seu próprio caminho, mesmo sabendo que ele não poderia ter sido trilhado de outra maneira: tudo corroborou para lhe tornar genial, inigualável; eterna. ”

Diamantino, 23 de julho de 2012

Felipe de Albuquerque Augusto

Série Need for Speed: adrenalina e capitalismo como fonte de sucesso.

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Por Thiago Mattos

Quando pensamos em jogos de corrida voltados para o público adulto, Need for Speed é o primeiro que vem à cabeça de muitos. Essa série de jogos publicados pela Eletronic Arts desde 1994 é um dos maiores sucessos comerciais da atualidade, com lançamentos quase todo ano. Isso satisfaz o desejo de ter automóveis possantes e sair tirarando “rachas” pela cidade, desejos que muitos apaixonados por velocidade possuem e que devem manter no plano virtual (é bom deixar claro minha posição).

Os jogos já passaram por 3 gerações, a primeira foi de 1994 até 2002, em que se tinha uma abordagem mais “light”, carrões esportivos indo a lugares exóticos, com o foco principal nas corridas, porém com o tempo as vendas foram declinando e a Eletronic Arts resolveu mudar a abordagem dos games, nasceu então a série “Underground” que alavancou o sucesso da série novamente. No entanto os últimos lançamentos parecem estar voltando a temática original, daí considerarmos haver três gerações.

Essa segunda geração teve o foco no chamado tuning, isto é, na personalização dos carros, não só do ponto de vista do desempenho, com motores, suspensões e o famoso Nitro, mas com luzes estilosas, pinturas no capô ou nas portas, caixa de som etc. Tudo isso demanda muito dinheiro, para consegui-lo, o jogador deveria criar uma reputação invejável no mundo dos “rachas” obscuros de grandes metrópoles, conseguir contratos com marcas de revistas e DVD’s, enfim, tudo para gerar mais dinheiro para poder gastar ainda mais com Camaros, Mustangs Lamborghinis etc. As infinitas combinações de tuning possíveis com os carros e o desejo de ter mais dinheiro para conseguir mais carros criam uma atmosfera viciante no gameplay que contagia muitos jogadores.

O ambiente de poder e liberdade que o jogo traz é potencializado pela imensidão das metrópoles em que se dirigi e pela trilha sonora, em que temos desde Snoop Dogg até Rise Against, isso porque as músicas predominantes tem duas características, ou são esses Hip-Hops estilo “era pobre e ferrado, agora sou rico, sou foda” ou uns Rocks em que se valoriza o sentimendo da liberdade e fazem acelerarmos ainda mais. Existem exceções, como algumas músicas que “puxam” mais pro House, mas podemos dizer que aqueles dois estilos dominam uns 90% dos games da série.

Os games Need for Speed são excelentes para desestressar, acelerar pelas megalópoles fictícias sem se preocupar com mais nada, apenas em ter um carro sensacional que 99% dos que jogam nunca terão. Como todo jogo de corrida mais adulto, Need for Speed tem um pequeno viés machista, a imagem de mulheres lindas e sensuais é sempre relacionada aos carros que estão fazendo sucesso e até mulheres da vida real, como a modelo Brooke Burke já foram usadas para promover o game, é aquela frase símbolo do mundo machista perfeito “ Carro, mulher e dinheiro”, a ordem é você que decide.

ImageBrooke Burke

A conclusão que eu chego é que Need for Speed é o melhor racing game pra se jogar sozinho, o raio de exploração é gigantesco e demora muito pra enjoar, enquanto que Mario Kart, um jogo muito simples no single player, segue imbatível no multiplayer.

Vídeos: No primeiro vídeo temos uma propaganda do Need for Speed Underground 2, posteriormente, a cena dos carros subindo o corpo da moça foi retirada (por que será?). Depois temos um vídeo do gameplay de Need for Speed Hot Pursuit (2010), que é um retorno ao início dos jogos, corridas alucinantes em que se pode escolher ser fugitivo ou policial. Pra finalizar, um tuning do Need for Speed Most Wanted.

Imagens inspiradoras, paisagens atmosféricas e quotes pessimistas

Fotografias dizem muito sobre uma pessoa. Não só as fotos tiradas por ela – mas principalmente as fotos que ela gosta e aprecia são uma manifestação do eu íntimo de cada um. Cada pequeno detalhe em cada foto é um pequeno pedaço da alma de cada pessoa. E é com base nisso que eu apresento um site fantástico e viciante: o we heart it.

O weheartit.com é um site de compartilhamento de imagens, onde você tem o seu próprio perfil, que funciona como um acervo das imagens que você “guarda”, ou seja, é como se fosse um banco de fotos online.

A grande sacada do site é você poder procurar imagens de acordo com o que você gosta – por exemplo, basta digitar “arctic monkeys” na procura que todas as imagens com a tag “arctic monkeys” do site aparecerão para você. E não é só isso: você também pode dar um heart em imagens externas, de outro site, que automaticamente vão para o site e aparecem no seu perfil. Também é possível separar suas imagens por sets, que é um modo de organização fácil e prático, onde você pode separar as imagens pelo assunto que quiser.

A foto mais popular com a tag “arctic monkeys”

A ideia é você dar um heart em imagens inspiradoras. O interessante é que cada perfil revela um pouco da personalidade da pessoa – um mérito do site, mas principalmente do poder de personificação da fotografia. Cada imagem escolhida pelo usuário revela um traço de sua personalidade – ainda que nem ele mesmo se dê conta disso.

A maioria das fotos é destinada ao público adolescente feminino. Fotos de maquiagem, mundo fashion, ídolos pop e imagens românticas são a maioria no site. Mas também há fotos de paisagens deslumbrantes, cultura pop, quotes de filmes e séries, imagens engraçadas e irônicas, imagens pessimistas e depressivas – ou seja, no final das contas o que vale é a intenção de cada pessoa ao procurar as imagens de acordo com o seu estilo de vida.

Exemplo de imagem de quote muito presente no site

Um lado ruim – ou bom, dependendo do ângulo de quem vê – é que não é possível a interação entre os usuários do site. A interação máxima e única entre usuários é a de following e followers, onde você segue as pessoas que “harteiam” imagens que você julga interessante, e é seguido pelo mesmo motivo.

Outro probleminha – novamente dependendo de quem vê – é o número excessivo de imagens de Justin Bieber, Miley Cyrus etc., além de imagens de memes – é a facebookização do we heart it (risos).

Vale a pena se deixar levar pelo site, ficar passando páginas e mais páginas durante alguns minutos (já vi relatos de pessoas que ficaram a tarde inteira no we heart it), e esquecer um pouco da conturbada vida moderna e se deixar imergir no mundo das imagens inspiradoras, das paisagens atmosféricas e dos quotes pessimistas.

O clima-tempo cuiabano e o panorama da música pop

Há uma certa angústia que me aflige a todo momento em que me preparo pra escrever para este post. Isso porque escrevo sobre música pop e a cada novo instante, novas notícias, novas ideias surgem no mercado e eu tenho de crivá-las. Assim, venho fazendo “especiais”, dissecando artistas, videoclipes; discorrendo sobre minhas opiniões de forma específica, sempre com um foco. Hoje eu waked “up in the morning feeling like P. Diddy”, e decidi fazer “algo diferente”.

Nada de drinks, nada de Europa; continuo aqui em Cuiabá que, por sinal, está com um clima bastante europeu… Bem, a questão não é essa. A questão é que, hoje, resolvi fazer um recorte de alguns diversos assuntos e notícias que considero relevantes para o mundo da música, para o mundo pop. Na verdade, os convido para um mergulho rápido nesse oceano de notícias que surgem nessa semana de folga, retorno e intenso trabalho de alguns artistas que tanto entretém a massa – nossa massa encefálica.

Vou começar por quem está saindo momentaneamente (e quando digo momentaneamente gostaria de frisar que, de fato, é MOMENTANEAMENTE) dos holofotes e resolveu tirar uma folga. Rihanna, que já vem trabalhando em seu sétimo álbum de estúdio, recentemente assinou contrato com a River Island para desenvolver sua linha exclusiva de roupas, e finalizou sua breve – e maravilhosa – turnê pela Europa, decidiu tirar um descanso no resort italiano Porto Cervo.

pfvr, nada menos que “fofa”
“hope that ain’t all you got”
realmente, um belo paraíso: Porto Cervo.

Algumas pessoas vivem dizendo que ela precisa descansar a imagem que vem sido espoliada intensamente nos últimos anos. Mas paparazzi que é esperto, não vai se compadecer com esse possível “cansaço” e quer mais é registrar qualquer flagrante ou indício de polêmica que sempre ronda Riri: um beijo lésbico, um tapa na pantera, uma saída a clube de striper… Enfim, eles estão a postos preparados para vender essa imagem controversa com a qual, de fato, mais lucram. Infelizmente, para os paparazzi ou felizmente para os fãs da good girl, a cantora tem se comportado de maneira exímia, apenas tomando sol em seu iate e perambulando um pouquinho pela cidade de Sardinia. Rihanna tem a agenda de shows vazia até 19 de Agosto, quando abrilhantará o Summer Sonic Festival no Japão. Até lá, os paparazzi podem ficar sossegados, que muita coisa pode acontecer. Vinda de Rihanna, qualquer atitude imprevisível se torna previsível. Vamos aguardar!

Enquanto os jovens descansam, a veterana que, segundo más línguas deveria fazer o mesmo, está a todo vapor com turnê em andamento, atitudes “polêmicas” (q q é polemico pra ela q já fez de um tudo ñ é vdd?!) nos palcos e videoclipe novo. Turn Up The Radio, a terceira música de trabalho do mais recente MDNA de Madonna foi lançado dia 16. De estética bonita e roteiro simples, podemos notar a letra da música sendo visualmente reproduzida. Assista ao clipe abaixo:

A priori, soa estranho e intrigante notar as metáforas pelas quais somos levados no decorrer da música. Primeiro, porque, quando nos propomos analisar Madonna, não podemos nos limitar a estrutura de auto-ajuda simplista – que soa como um convite para facilitar nossas sinapses –  da qual é carregada a letra de Turn Up The Radio. Segundo, porque soa deslocada e arcaica a proposta de “aumentar o volume do rádio”. Do rádio? Este não é um meio ultrapassado? Talvez até seja, mas depois de escutarmos “MDNA” inteiro, temos a sensação de que ele reforça aquela máxima tão usual nos estudos da comunicação de massa: um meio não acaba, ele se ressignifica. Ela também o faz.

Outra que lançou clipe novo, esta semana, foi Nelly Furtado. A conheci com seu álbum Loose (2006), que a colocou no topo Billboard com os singles “Promiscuous”, “Say It Right” e “Give It To Me”. Mas, confesso: desde então, ela não me parecia boa o suficiente ou, ainda, bonita suficiente, ou ainda pop suficiente para conquistar o público mainstream – ou o meu lado mainstream –, e eu sempre olhei para ela um tanto quanto de soslaio, ouvindo, dançando, porém whatever. Com esse novo álbum que está previsto pra ser lançado em setembro, ouso dizer: ela está (re)conquistando a minha atenção. Mais: está conquistando a minha admiração enquanto artista – pois enquanto pessoa, ela é inquestionavelmente inteligente, poliglota e toda enraizada à cultura de seus ascendentes. O videoclipe Spirit Indestructible é o segundo do álbum TSI: The Spirit Indestructible que já se firmou como uma boa opção para fugirmos de uma certa monotonia pop (da qual já falei em algum outro post aí). Abaixo, o lyricvideo de divulgação que vale a pena ser visto, não só por ser muito bonito, mas porque contextualiza o videoclipe que, também segue abaixo.

Enquanto umas descansam e outras se mantém no cenário musical, há quem, também, esteja retornando. Refiro-me ao No Doubt, que, após mais de nove anos sem novidades, voltou à tona com o single Settle Down que inaugura o álbum Push and Shove, também previsto para ser lançado em setembro.

Deste videoclipe, podemos matar um pouco das saudades da “hollaback girl” bem como entrar no halo clean, divertido, festivo e colorido que marca o reencontro de Gwen Stefani, Tony Kanal, Adrian Young e Tom Dumont. A música contém mesclas de ska e uma sonoridade viciante, no entanto, longe do corriqueiro pop chiclete. Na letra, podemos notar versos subversivos e engraçados como “What’s your twenty? (Do you copy?)/ Where’s your brain? (Do you copy?)/Checking in to check you out/Concerned about your whereabouts/Coffee bag, you’re acting strange/So tell me what is going on”.

Diante desse cenário a música pop parece estar voltando a ficar legal. Espera-se que essa “onda Will.i.am” dê uma amenizada e que a indústria pop, assim como qualquer outra indústria, “sofra” com a natural competitividade mercadológica, incitando a melhoria dos produtos. Como um amante de música pop, só tenho a esperar pelo resultado a médio-prazo: e que perdure mais que esse frio atípico em Cuiabá.

Sonic x Mario: O grande Tira-Teima.

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Por Thiago Mattos

Finalmente chegou o momento de decidirmos qual é o melhor dentre esses dois fenômenos de popularidade dos games. O método utilizado será predominantemente uma comparação direta entre dois personagens de papel semelhante nas duas sagas. Por exemplo: Sonic x Mario, Yoshi x Tails, Knuckles x Luigi etc. Comecemos então:

SONIC X MARIO

Resultado: Empate

Justificativa: Não é questão de ficar em cima do muro, o fato é que os dois são equivalentes no que diz respeito à maneira como protagonizam suas séries. O percentual que esses personagens tem para o sucesso de suas sagas é o mesmo (digamos que em torno de 50%), por isso teremos que analisar os coadjuvantes e outros detalhes para apontarmos qual sucesso é maior. Ficar só no debate entre os protagonistas, não nos levará a lugar algum.

        

YOSHI X TAILS

Resultado: YOSHI

Justificativa: Aqui já conseguimos apontar um vencedor, o dinossaurinho leva vantagem sobre a raposa amarela, muito em função do seu carisma. Yoshi é muito mais engraçado, come tudo q vê pela frente, pode ter várias cores e faz barulhinhos bizarros, seja de alegria, espanto ou decepção. Às vezes, só de ver o Yoshi, muitos já ficam com vontade  de rir. Tails é um grande companheiro para Sonic e bastante útil nas aventuras, mas não tem esse poder de alegrar as pessoas que o comilão possuí.

      

LUIGI X KNUCKLES

Resultado: LUIGI

Justificativa: Esse é o duelo mais fácil, Sonic nem tem um irmão, mas Knuckles é um equidna (animal australiano, semelhante a um ouriço) que estreou como vilão em “Sonic 3”, mas depois sempre foi aliado do porco-espinho azul. Knuckles se limita a apenas a ajudar o grande protagonista, é corajoso e inteligente. Luigi é muito mais complexo, é engraçado por ser medroso, mas no fundo tem coragem para ajudar seu irmão em momentos difíceis, além disso é todo destrambelhado, mas no fim consegue se dar bem. Resumindo: é o Mr. Bean dos videogames. Portanto, Mario verde ganha do Sonic vermelho por nocaute.

      

AMY ROSE X PRINCESS PEACH

Resultado: AMY ROSE

Justificativa: As duas principais personagens femininas da saga não tem muita coisa em comum. Amy vence por ter mais personalidade e gerar mais momentos engraçados, a porco-espinho rosa se autodeclara namorada de Sonic, mas esta é uma situação delicada, tendo em vista que ele está sempre fugindo dela. Amy também sabe se defender nos momentos em que é seriamente ameaçada, já Peach sempre confia que Mario chegará para salvá-la e na grande maioria dos jogos, parece aguardar de camarote esse momento. É uma personagem muito sem sal.

      

DR. EGGMAN/ ROBOTNIK X BOWSER

Resultado: BOWSER

Justificativa: É um duelo apertado, mas alguns detalhes dão a vitória ao réptil contra o doutor maligno. Os dois personagens são interessantes, o doutor é um gênio do mal e cria grandes problemas para Sonic, sem dúvidas de que é um vilão mais competente que Bowser, porém, o rei dos Koopas é um ser mais passional, sendo que em vários jogos, fica nas entrelinhas seu amor pela Princess Peach, fazendo com que se pense que ele não odeie o Mario e sim o inveje. Bowser leva o duelo por ser um personagem um pouco mais complexo que Eggman.

     

WARIO X SHADOW

Resultado : SHADOW

Justificativa: O duelo dos anti-heróis é uma questão de gosto. Wario é bizarro, gordo, feio e milionário e por isso é muito engraçado vê-lo, não só em suas participações nos jogos do Mario, mas em seus próprios jogos como “Wario Land”. Shadow é convencido, arrogante e sempre tem problemas com seu passado, mas no fundo tem um excelente coração e geralmente se une a Sonic para formarem uma dupla imbatível. Assim como no caso de Bowser, Shadow leva o duelo pela complexidade de sua personalidade.

O placar está Super Mario 3 x 2 Sonic, The Hedgehog, contudo eu tenho que dar mais um ponto para o bigodudo, pois seus jogos são mais regulares, tanto do ponto de vista da qualidade, quanto das vendas. Os jogos do porco-espinho não conseguiram se reinventar do mesmo modo que os do bigodudo, quanto mais eles saem do conceito original do game, pior fica. Com Mario não, os jogos vão tendo leves mudanças de um pro outro, passaram ilesos do 2D para o 3D, sem frustrar os fãs. Sonic sempre será aquele game da velocidade alucinante e dos loopings vertiginosos. Mario hoje é universal e conseguimos imáginá-lo fazendo qualquer coisa. Concluímos que os personagens de Mario e Sonic se equivalem, o que faz a diferença são os coadjuvantes e a maneira como os games foram se transformando ao longo do tempo.

Placar final: SUPER MARIO 4 X 2 SONIC, THE HEDGEHOG

Saga Super Mario: Popularidade inesgotável e explorada até seus limites.

Por Thiago Mattos

                 Os jogos que envolvem o nome “Mario” já venderam mais de 230 milhões de cópias ao redor do mundo. Sendo que boa parte dessas vendas (não encontrei um número exato, mas creio que seja pouco mais de 30%), são de games como Mario Kart, Mario Party, Mario Golf, Mario Tennis e tantos outros que a Nintendo espertamente programou para aproveitar a popularidade dos jogos tradicionais, de aventura, como Mario Bros, Super Mario World e Super Mario 64. Vamos tentar explicar todo esse sucesso.

A primeira aparição do bigodudo foi em Donkey Kong em 1981, mas até então era chamado de “jumpman”, em 1983 ele surgiu com seu nome e já com Luigi (Mario verde para os leigos) em Mario Bros. Há 30 anos os videogames eram embriões do que são hoje, jogar Tetris era a grande moda. Nesse contexto aparece um jogo de aventura, no estilo plataforma. Um encanador baixinho e barrigudo que salva uma princesa de uma tartaruga gigante (Bowser). Esporadicamente existe a ajuda de um irmão engraçado e medroso e posteriormente de um dinossaurinho meigo e guloso (Yoshi), tudo isso no reino dos cogumelos. Bizarro, divertido e romântico. Características que juntas agradam inúmeras personalidades. Um game com referências italianas de uma marca japonesa que já era consolidada nos E.U.A. Pronto, está pronta a receita para se ter um imenso público alvo.

Os jogos conseguiram se adaptar as diferentes gerações de videogames, saíram do 2D para o 3D e do joystick tradicional para os controles de hoje, em que se aponta pra tela e se joga em outra perspectiva, a diversão continua a mesma. Nove anos após Mario Bros, é lançado Super Mario Kart e pronto, foi o estopim pra Nintendo lançar todos os jogos possíveis com a turma do “Mushroom Kingdom”, hoje em dia só falta um jogo de tiro em primeira pessoa. Não há um ano sequer que a Nintendo fique sem lançar um jogo com essa marca. Mario Kart chega a rivalizar com a série principal. A marca “Mario” não fica saturada, pois o intervalo (dentro de determinado gênero) de um game pra outro, é de quatro ou cinco anos, contudo, como são diversos gêneros, sempre tem um lançamento bombando, além disso, hoje se tem um público segmentado, tem gente que já largou os games de aventura, mas joga Kart, Paper ou Tennis. Resumindo, a Nintendo tem uma meta, fazer todo mundo jogar Mario.

Diferentemente de Sonic, onde é quase unanimidade que os mais antigos são os melhores, com o Mr. Nintendo as opiniões se dividem, porém os saudosos tem um forte argumento. New Super Mario Bros Wii que é um retorno as origens da série, vendeu mais que Super Mario Galaxy, apesar deste ter sido aclamado pela critica. O embate épico e em seus mínimos detalhes entre o porco espinho e o encanador, você confere na próxima terça.

Vídeos: Todos sabem que as musiquinhas da saga Mario, são um dos seus grandes trunfos, como quase todos conhecem a jogabilidade da maioria de seus jogos, decidi colocar dois vídeos com músicas da saga, umas muito famosas e outras que podem te surpreender. Enjoy it! 

O homem que quase matou Getúlio Vargas

Por Lorena Krebs

Há quem o odeie, há quem goste muito dele, e há quem – honestamente falando – não o conhece, mas gosta muito do que ele escreve. Por vezes é um apresentador polêmico, ou se ele vai com a sua cara, é a simpatia em pessoa, mas também é um apresentador que me surpreendeu com o que é capaz de escrever, afinal, para os que não sabem, Jô Soares não é apenas o cara que manda o “beijo do gordo” toda noite, é também um dos escritores brasileiros atuais que mais conseguem fazer você se envolver com a trama.

Veríssimo fala que Jô Soares é “um grande fazedor de tipos”, para quem já leu algum livro dele, bem sabe que isso é verdade. Seus livros – ou pelo menos todos que eu li até agora – misturam ficção com a realidade de uma forma brilhante e coerente, e esses “tipos” por ele construídos se encaixam no contexto de uma forma tão natural que parecem ter estado lá o tempo todo, e só você que nunca os percebeu nos livros de História.

Um desses personagens, que nasceu para ser “assassino profissional”, mas nem por isso deixa de ser cativante, lembra para muitos o Forrest Gump, não pela inocência dele, mas pelo fato de ser extremamente desastroso, e tudo na vida dele reflete isso, e, você sempre tem em mente que algo de errado vai acontecer, só não imagina as formas absurdas e cômicas que darão vida aos erros dele.

E desde o nascimento de Dimitri Borja na Bósnia, protagonista do livro “O homem que matou Getúlio Vargas”, até a sua chegada ao Brasil, a vida dele segue uma linha de desastres atrás de desastres, desde colocar seus dois dedos indicadores no gatilho e não conseguir atirar no Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, a subornar os jurados errados para salvar Al Capone, salvando, ao invés, a pele de uma velhinha que tinha atropelado um cachorro.

A história conta com a presença de muitas figuras ilustres, e, mesclado com fatos reais de cada um, está também Dimitri, que por acasos do destino nunca consegue realizar o que tem que fazer, e, consequentemente, as coisas de fato acontecem como aconteceram. Marie Curie, Mata Hari, Franklin Roosevelt, Jean Jaurés, George Raft, são alguns dos “personagens” deste livro.

Um fato interessante do livro, e muito bem encaixado na trama, é que a mãe de Dimitri, Isabel, é filha ilegítima do coronel Manuel Vargas, pai de Getúlio Vargas, e apesar disto, Dimitri se tornou o homem que quase matou Getúlio Vargas. Repleto de “quases” inusitados, o livro passa a história, tanto a real quanto a de Dimitri, de uma forma leve e intrigante, deixando sempre o riso presente nas faces de quem o lê.

O renascimento de um gênero: dream pop

Por Gabriel Soares

3. dream pop

Music that makes you think about things like unicorns and lasers and flying through space, characterized by faraway vocals, droning basslines, echoing percussion, etc.

Essa é a melhor e mais sincera definição que eu encontrei sobre o gênero – do site urbandictionary.com (esse site é ótimo, acreditem). O dream pop é um subgênero do rock alternativo, marcado pelos vocais etéreos (geralmente femininos), letras introspectivas e texturas atmosféricas.

A grande influência para o gênero é a clássica Sunday Morning do Velvet Underground, e os Cocteau Twins e seu álbum Treasure, de 1984, são considerados os precursores dessa nova era de sons atmosféricos e pessoas sonhadoras. Liz, a vocalista da banda, cantava de forma tão etérea e abstrata que as pessoas diziam que as músicas não tinham letra, e que, se tinham, não sabiam em que língua Liz cantava.

O berço do gênero foi na gravadora 4AD: o supergrupo This Mortal Coil e os góticos do Dead Can Dance saíram de lá.

O dream pop atingiu seu ápice no começo da década de 90; foi quando ele e o shoegaze começaram a se fundir e confundir: os épicos Loveless, do My Bloody Valentine; Souvlaki, do Slowdive; e Going Blank Again, do Ride, são os álbuns mais representativos dessa linda época. Essas bandas mantiveram os aspectos flutuantes do dream pop e adicionaram os efeitos sonoros advindos do barulho urbano do pós-punk.

A partir de 1995, a coisa deu uma esfriada. A maioria das bandas do gênero se desmembrou nessa época. Chapterhouse, Slowdive, Pale Saints, Ride, Lush, My Bloody Valentine e Cocteau Twins são apenas alguns exemplos de bandas que nos deixaram órfãos nesses tristes anos.

O gênero só foi ser redescoberto a partir da segunda metade da década seguinte. Nesse meio-tempo, algumas bandas (entre elas The Radio Dept. e Azure Ray) mantiveram acesa a chama do dream pop. A partir de 2007, houve uma explosão de bandas de dream pop – Lower Dens, Twin Sister, School of Seven Bells, Wild Nothing e The Pains of Being Pure at Heart são os principais exemplos. A consagração do gênero veio com o aclamado Teen Dream, do Beach House. Um álbum digno dos tempos áureos do gênero. Na minha opinião, um dos melhores (senão o melhor) álbum da década passada.

Claro que essa safra de bons artistas deu ao gênero um hype, status de cool, hipster, indie ou qualquer outro adjetivo inútil semelhante, o que deu uma banalizada ao estilo. Artistas como a contestável Grimes e o enfadonho e mais contestável ainda Twin Shadow aparecem como sendo do gênero.

O grande lance do dream pop é viajar sem sair do lugar – e nos lembrar que, mesmo que em tempos de workaholics, consumo em massa, violência, poluição e Copa do Mundo, ainda há espaço para “unicórnios e lasers e voar pelo espaço”.

Bitch, please?

Fotografia de Emily Shur

Por Felipe Albuquerque

O mundo pop é uma grande indústria de contradições. Sejam nas posturas dos próprios artistas, sejam nos ideais apregoados, há um caldeirão do qual sempre emanam novas “personagens” dispostas a se (re)inventarem, se contradizerem e, assim, se firmarem no movediço solo dessa indústria. E – olha a contradição aí – apesar dessa constante renovação, o pop se torna, algumas vezes, muitas vezes, enfadonho.

Há tanta mesmice produzida que quando surge alguém com talento real, ou o artista se deixa suprimir pela produção ou a utiliza a seu favor. Com naturalidade expressa num sorriso e, claro, contraditoriamente, artificialidade na produção visual e, um tanto quanto musical, Azealia Banks tem galgado fama ao redor do mundo diferenciando-se pela segunda opção.

Nascida no ano de 1991, Azealia Amanda Banks – qualquer identidade com o sobrenome de uma famosa modelo internacional é mera coincidência – teve uma infância de dificuldades, ao lado de duas irmãs mais velhas, pela ausência do pai que faleceu quando ela tinha apenas dois anos. Foi criada em Harlem, conhecido bairro de Manhattan por seu aporte cultural e comercial de afro-americanos. Banks estudou no mesmo LaGuardia High School, no qual passaram, também, nomes como Nicki Minaj, Kelis e Al Pacino, mas não chegou a se formar em busca do sonho de ser artista. Abaixo, um video no qual Azealia foi escolhida embaixadora numa série de documentários da Nike Sportwear para o World Basketball Festival, sobre a Harlem que a inspira.

O contato com as artes proporcionou a Azealia oportunidades de experienciar diversas áreas, do teatro aos musicais, mas não tardou muito para que ela se encontrasse no hip hop e se destacasse por suas rimas rápidas. De inicio, lançando vídeos na internet, acabou por chamar atenção da XL Records, com quem teve uma “pseudo” negociação, mas logo veio o desentendimento com o executivo da gravadora Richard Russell, uma breve depressão e um afastamento da mídia por um período de um ano.

Sobre o episódio, a artista conta à BBC sem pausa ou rubor diante de alguns palavrões: “the original idea was to have me work with Richard Russell… Richard was cool, but as soon as I didn’t want to use his beats, it got real sour. He wound up calling me ‘amateur’ and shit, and the XL interns started talking shit about me. It just got real fucking funny. I was like, ‘I didn’t come here for a date. I came here to cut some fucking records.’ I got turned off on the music industry and disappeared for a bit. I went into a bit of a depression (…) It was almost the day I signed to XL that they started checking out. There were a good seven to eight months where I was just sending them texts and no-one would say anything or pick up the phone or respond to my emails. Nothing. And it started to ruin me. So I started harassing Richard. Like, ‘Dude, I’m going to chop your neck off. Answer my emails!”

Fotografia de Emily Shur

Durante a “bad trip” e “some very bleak circumstances” pela qual caminhou sua carreira entre 2010 e início de 2011, Azealia escreveu a música/hit “212”, que viria a se tornar seu single de reviravolta. Ela se mandou para o Canadá e, por conta própria, gravou a música e a divulgou na internet, infiltrando-se na mente da massa e caindo nas graças da crítica especializada. “I had been dropped from XL. My manager dropped me. My boyfriend left me. I was starting to accept that my career was never gonna happen. So the song was just me, like, ‘Fuck y’all. Y’all not gonna help me? I’m gonna get it myself.'”, disse numa entrevista a Paper Mag.

Se você ainda não se deixou contagiar pela incrível batida de 212, voltado para o banger e hip hop, faça-se esse favor:

Esse single tanto conquistou os charts europeus, quanto ratificou Azealia na posição nº1 de indicações da “Cool List” da revista especializada NME em 2011 e também a nomeação pela BBC ao Sound Of 2012 – nesta figurando em 3º lugar.

No inicio do ano, “os jogadores de vídeo game por detrás do controle” – mais especificamente a sua nova gravadora Universal Musical – começaram uma maior divulgação da cantora, promovendo apresentações em tradicionais e grandiosos eventos como o Coachella – nos Estados Unidos – e, na semana passada, no Hackney – em Londres -. Apesar de um breve repertório, é notável a conexão da cantora com o público e, mais, o seu domínio musical, que nos deixa com gostinho de quero mais.

Coachella 2012

Destas duas performances supracitadas, podemos extrair algumas evidencias incontestáveis: diferentemente da limitada voz de algumas cantoras usuais de hip hop, Azealia tem potencial para flertar com jazz e o soul e, caminhar tranquilamente pelo pop, fazendo um bom espetáculo ao vivo. Pelas poucas amostras que obtivemos com base no seu EP (Os “artistas novos” lançam EPs para fazer, de certo modo, sua marca, antes de lançar um CD sem um nome ao menos conhecido no mercado), a cantora irá brincar bastante com esse seu potencial, mesclando ritmos com ferozes rimas ao compasso “banger”.

Para o bem ou para o mal, esse EP serviu bastante para aguçar a curiosidade de quem vem acompanhando seu trabalho. Aliás, o CD, como um todo, tem sido associado a produtores de grande renome como Paul Epworth (produtor de ninguém mais que Adele e Florence + The Machine) e Travis Stewart (“Machinedrum”). Portanto, tem tudo para ser um grande sucesso.

Além do lado encantador da música, Azealia tem atraído a atenção da elite da moda, com seu estilo street que conta com cabelos coloridos, shorts jeans, cropped tops e muitos creepers, já sendo considerada a mais nova pupila dos olhos de Nicola Formichetti – que havia se associado, até então, apenas com Lady Gaga –. Em “Liquorice”, seu último belo, curioso e engraçado videoclipe, Nicola cuidou pessoalmente do figurino sendo que os dois já firmaram outra parceria para um futuro breve, com a escolha da canção “Bambi” como trilha sonora do desfile de moda da Mugler (do qual Nicola é diretor criativo), na Paris Fashion Week.

A barulhenta cantora caiu nas graças, também, de Karl Lagerfeld que acabou convidando a rapper para cantar na festa de comemoração de sua linha Karl e a presenteou com um suéter exclusivo estampado com seu rosto.

Um pouco de “egokarlcentrismo”, por que não?!

No nicho de amigos famosos, Azealia tem relações estreitas com M.I.A, Florence Welch e coleta alguns elogios como o de Gwyneth Paltrow, que declarou em seu twitter estar “obcecada” pelo vídeo de 212, e entrou para a exclusivíssima lista de cinco seguidos pelo rapper Kanye West na mesma rede social.

Diante de tamanha desbocada frenesi, podemos perceber que, brevemente, Azealia terá seus shows abarrotados de fãs, cantando palavrões pelos quatro cantos do mundo. Inspirando-se na igualmente brilhante Missy Elliott que estourou ainda no século passado, Banks tem tudo para retomar uma certa “contra cultura”, servindo como refúgio para muitos desses momentos entediantes da indústria de massa; pop. “Hey, I can be the answer”, diz em 212.

Na disputa pelos holofotes em 2012, Azealia corre na frente e é uma aposta certeira. Limitando-a, podemos dizer que é bitch que a Rihanna tanto quer ser em sua era Talk That Talk; é a cantora de qualidade natural que Nicki Minaj jamais conseguirá (se) (re)produzir. Ou, simplesmente como ela se descreve em sua página do Facebook “lyricist, bitch, comedian, cutie pie”. Na minha opinião, já temos a resposta, mas se ela ainda não te convenceu, conheça abaixo uma nova música que chegou a público no início da semana, “Nathan”.

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