Série Fire Emblem: Uma obra-prima pouco reconhecida

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Por Thiago Mattos

No final de 2003 é lançado Fire Emblem, um jogo desenvolvido pela “Inteligent Systems” e publicado no ocidente pela primeira vez, sim, pois no Japão a Nintendo já havia lançado seis jogos da série. O primeiro em 90 para NES, assim como o segundo em 92, três para SNES e um para o Game Boy Advance, apenas no segundo jogo para o console portátil que o mundo pôde experimentar o que os japoneses já conheciam muito bem.

O jogo funciona por Tactical turns, ou seja, você dá ordens a seus personagens no seu turno e depois aguarda as ações do inimigo. Dessa forma a saga nunca exigiu habilidades manuais dos jogadores, apenas inteligência para movimentar competentemente sua tropa. Os jogos carregam características clássicas dos RPG’s, se gasta dinheiro para comprar armas e itens importantes e conforme o personagem vai batalhando e se tornando mais forte, mais desafios vão surgindo. O enredo de cada game é diferente, contudo sempre nos remete a uma época medieval, com muitos elementos religiosos e políticos envolvidos, muita magia, vários vilões sedentos de poder e às vezes criaturas não humanas como dragões e tigres tendo protagonismo na trama.

O grande trunfo de Fire Emblem é a capacidade que os jogos tem de fazer com que o jogador se envolva não só com a história, mas com os personagens em si. Isso se potencializou no último jogo lançado só no Japão (Fire Emblem: Fuin no Tsurugi), quando o sistema de support conversantions começou. Esse sistema consistia em conversas que alguns personagens poderiam ter, caso lutassem num mesmo capítulo e estivessem próximos. Laços afetivos, amizades e até romances poderiam ser desencadeados, podendo mudar a própria história. Esse componente não era apenas para enfeite da história. Tendo um personagem fortes relações afetivas com outro, estes irão lutar bem melhor quando estiverem próximos no campo de batalha. É o chamado “algo mais” por alguém que se tem carinho. Como todo jogo tem dezenas de personagens e cada um com uma personalidade diferente, muitos gamers “piram” na vontade de a cada vez que jogam, incentivarem contatos entre personagens diferentes, pois é necessário zerar o jogo umas dez vezes para desenvolver todos os tipos de relacionamentos possíveis, acredite, quando o jogador se simpatiza por um personagem, ele vai querer explorar todas as alternativas que este personagem oferece. Isso contribui muito para o jogo não enjoar, cada vez que se dá um New Game, você viverá uma experiência diferente.

Esse nuance afetivo que permeia o jogo tem consequências engraçadas. Toda vez que um personagem é derrotado no jogo, ele some da trama (salvo raríssimas exceções). A única maneira de recuperá-lo é recomeçando o capítulo, como é impossível não ter sentimentos em relação a seus units é sempre curioso perceber que para alguns personagens você não “tá nem ai” se ele morre, mesmo sendo poderosos no campo de batalha, enquanto que com outros tem-se uma certa tensão caso eles flertem com a morte.

               

Da esquerda pra direita: A engraçada Mia, o petulante Shinon, o gênio Soren e a patriota Jill, alguns dos coadjuvantes que me agradam demais.

Enfim, como em quase todo RPG, o campo de batalha tem detalhes, como casas para serem visitadas, onde se pode conseguir informações importantes, ou até mesmo armas. E sempre há uma arma que é forte contra outra: espada leva vantagem contra machado, mas fica em maus lençóis quando enfrenta uma lança. Esse tipo de coisa que é batida nesse tipo de jogo. O diferencial de Fire Emblem é sua capacidade de viciar os jogadores seja com a história envolvente, ou com os personagens mais envolventes ainda (aqui me refiro principalmente a Path of Radiance e sua continuação Radiant Dawn) e que despertam a vontade de fazê-los verdadeiras maquinas mortíferas na arte da guerra. Resumindo, se você não conhece Fire Emblem (é bem provável que não conheça), dê uma chance e não desista nas primeiras 10 horas de jogo, é muita informação e alguns já dão o veredito de “jogo chato”, é um jogo que se propõe a trazer uma experiência superior e pouco se importa com as vendas, a Nintendo já tem Mario e Pokémon para vender como água, Fire Emblem é para poucos. É difícil encontrá-los aqui no Brasil e quem não entende inglês “bóia”, contudo eu diria que em Fire Emblem mais que em outros RPGs, pois cada personagem se expressa de maneira diferente, uns tem vocabulário pobre, cheio de contrações, outros utilizam gírias e ainda tem aqueles da nobreza que falam muito difícil. Se eu consegui fazer com que você queira saber mais sobre o jogo, dê uma passada na página Fire Emblem wiki http://fireemblem.wikia.com/wiki/Fire_Emblem_Wikia, página criada pelos fãs para popularizar a saga. Antes veja os vídeos.

Vídeos: A história da saga 

Um exemplo da trilha sonora magnífica

Todos os protagonistas da série:

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