Carnaval extemporâneo com o enredo Pound the Alarm

Oitavo mês do ano. Aquela sensação de que o fim está próximo (como já diziam os maias) e que o tempo de cumprir as promessas feitas em noite de Réveillon está se esgotando – para, no próximo Réveillon, assim como votos de casamento, serem renovados, (novamente) -.  Aí você me pergunta “felipe, anti-maiasista?”. Aí o felipe te responde: “talvez”. Para mim a questão é bem simples: seres humanos buscam subterfúgios com a finalidade de se auto-frustrar. Mas, felizmente, a busílis aqui não é esta, então vamos continuar com… Agosto: mês dos pais, dos solteiros, mês do carnavalNÃO PERA. E, mais uma vez você me pergunta-exclamativamente “esse cara fumou e veio escrever esse texto do PACULT?!”.

Para mim a questão – novamente – é bem simples (gente, como sou pragmático?!): estou viciado na nova música da Nicki Minaj. Pra quem não viu, ela sai toda passista da Salgueiro pelas ruas de Trinidad & Tobago, convocando azamiga pra sambar ao som eletrônico  (?!) de Pound The Alarm. Se você ainda não assistiu ao clipe, pfvr:

Aos meus leitores assíduos, talvez soe muito lisonjeiro meu comentário sobre o videoclipe, principalmente por eu já tê-la (a Nicki) alfinetado algumas vezes em outros posts comentando que os excessos visuais que beiram e (corriqueiramente) ultrapassam a linha da poluição, são estratagemas para maquiar a falta de qualidade musical e artística de Minaj. Porém, nesse clipe, a cantora transpassa autenticidade. Apesar dos peitos (e que peitos) e da bunda (e que bunda) o vídeo é simples, é bonito (vide praias, cachoeiras e crianças brincando no início do vídeo), é alegre e, principalmente: é real. Fica nítido que o diretor Benny Boom priorizou por poucas edições na fotografia – excetuando a luminosidade que deixa Nicki branca desde criança – e pela ausência de computação gráfica na elaboração de cenários e efeitos, transmitindo com natural beleza uma parcela da cultura local de onde vem a cantora trinidiana.

Uma observação bem crivada e que corrobora para essa afirmação de que ela está autêntica, é a de que todas as dançarinas que estão ao seu redor usam salto alto. Nicki não pediu que nenhuma tirasse o salto para ela ficar na mesma altura, ou ainda que o foco fosse tirado dela – como já aconteceu com outras divas ~aí~. Para completar, podemos vê-la batendo o chinelão no chão, mais para o final do vídeo: não posso pensar em nenhuma expressão melhor que “gente como a gente”.

A música – como eu já disse – se fixou dentro da minha cabeça desde a primeira vez que a ouvi e, em virtude do recorrente play, me soa tão familiar como se eu nunca tivesse escutado outra coisa. A leva eletrônica permanece, sendo que a mesma batida que içou Nicki Minaj ao mundo do sucesso com os singles Super Bass e Starships tem tudo para mantê-la nesse patamar ainda por um bom tempo, talvez dando-a o almejado #1 da Billboard Hot100.

Para além do videoclipe, algo que me chamou a atenção foi: eu já vi um traje semelhante ao que ela está usando sendo usado por uma outra cantora há um tempinho atrás…

… Então fui atrás de saber o que há em comum entre Trinidad e Tobago, Barbados e Brasil.

O que nos une, além do carnaval ou kadooment day (como é chamado o carnaval de Barbados) é o nosso passado de exploração e dominação. Assim como nós, eles foram colonizados pelos Europeus que já tinham o hábito do “entrudo” e do baile das máscaras. Fomos influenciados através da contínua migração humana que também fez transitar os genes culturais adjuntos aos processos de miscigenação que resultaram em novos costumes.

Apesar de, para nós brasileiros, soar estranho a música eletrônica sendo entoada pela “escola-de-samba-Nicki-Minaj”, Pound the Alarm celebra aquilo que mais queremos durante o carnaval: se divertir, beber, “sexy and hotter, let’s shut it down”, sem ter alarme para por fim ao que está bom. Pra quem acredita nos maias e/ou está de greve pois, enfim, “dilma-federais-salários-kd?”, antecipar o carnaval para agosto não seria uma má pedida. Aliás, se sua promessa de réveillon é ser feliz em 2012 e lhe falta uma boa trilha sonora para esse momento, ainda dá tempo de colocar Pound the Alarm no repet e deixar a musica makes you high. 

peeeeeeeeitos

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