Liberdade à cinquentona – e o caso Pussy Riot

O post de hoje está cheirando velinha queimada (velinha, não velhinha, sem trocadilhos maldosos, pessoal). Isso porque a, consensualmente, Rainha da música Pop está completando 54 anos, sendo que 30 dessa longeva vida foram dedicados a uma carreira de polêmicas, fãs, bandeiras, revolução, sexo, sexismo e, por fim, de um modo geral, êxitos. Aqui no PACULT, num dos meus primeiros textos, discorri sobre o seu pináculo que ainda não deu indícios de declínio e os elementos que a mantiveram no topo: em homenagem, indico a releitura.

A rainha, diligente e, por isso, em constante atividade, comemorou a data na Noruega, em cima dos palcos, com sua turnê mais recente MDNA – que tem previsões de ser a mais lucrativa feita por uma mulher – . Há quem queira destroná-la; há quem diga que seu tempo pereceu. A opinião deste humilde resenhista é: num mundo em que ainda há tanta repressão, tantos tabus e tantas tarjas pintadas de negro, alguém que represente o diálogo, a liberdade e diferentes opiniões e morais que não as intolerantes vigentes, deve continuar em movimento.

Amanhã, por exemplo, o futuro de três garotas será decidido no tribunal. Falo das Pussy Riot, grupo de punk que invadiu uma catedral ortodoxa na Rússia para cantar seu punk-rock esculhambando o patriarca da Igreja que apoia incondicionalmente Vladimir Putin – o principal alvo das críticas – por seu caráter autoritário e repressivo: “Virgem Maria, libertai-nos de Putin”.

Madonna comprou a briga e em seu show na capital Russa, que já vinha sofrendo represálias do governo por causa de uma lei homofóbica sancionada recentemente, cantou a música Like a Virgin vestindo uma balaclava enquanto exibia no dorso seminu o nome do grupo Pussy Riot. Não bastasse a intenção visual, fez um discurso em que disse: “Essas três garotas fizeram algo corajoso. Elas já pagaram o preço por isso e agora rezo pela liberdade delas”. Confira o vídeo:

A ação de Madonna despertou a fúria dos governistas. O ministro da Indústria da Defesa, Dmitri Rogozin (lê-se: Doushuh Roasijsiojsauih) chegou a publicar em seu twitter: “Com a idade, toda puta velha tende a dar lições de moral a todo mundo. Em particular, em suas viagens pelo estrangeiro (…). Ou tira sua cruz, ou usa umas calcinhas”.

Mas, fúrias à parte, Madonna chamou a atenção do mundo para a prisão das jovens Maria Alyokhina (24), Nadezhda Tolokonnikova (22) e Yekaterina Samutsevich (29), que podem ficar em reclusão por sete anos. O protesto e as críticas recebidas por causa dele não foram em vão: manifestações estão ganhando as ruas e consulados russos espalhados em diversos países – incluindo o Brasil – pressionam Putin para que ele ceda suas mãos de ferro à liberdade, não só para com as Pussy Riot, mas diante de todo o povo russo.

Madonna tem muito o que comemorar: não é qualquer pessoa que consegue se manter no auge, mesmo desagradando poderosos e extremistas – e olha que eles foram/são muitos – .  30 anos consolidando um nome e dialogando com a maior força que os grandes retóricos e filósofos já sabiam valorar: a massa.

Termino com um pensamento de John Ray, Jr.: “ ‘ofensivo, quase nunca é mais que sinônimo para ‘incomum’ “. Que a nossa liberdade – de todos nós – possa se tornar, um dia, inofensiva; na medida do utópico, mais justa e igualitária. Às vezes, me pego pensando “como é bom morar no Brasil, sou livre”, mas dia sim dia não, há algum órgão do governo com pretensões de tolher nossa imprensa, vigiar nossa expressão e crivar nossos veículos de comunicação.  Estejamos vigilantes, pois a nossa liberdade só será real, quando for comum. Enquanto isso, “vida longa à rainha!”.

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