Quem mexeu no meu guarda-roupas?

De todos os aspectos humanos, ou seja, dentre uma variada matiz de traços que dão ao ser o adjetivo de humano, o mais difícil e complexo diante de uma postura analítica, é o do comportamento. Primeiro, porque, como já vimos em post anterior, a nossa mente é social: são diversos fatores do meio que confluem para nos educar e, de acordo com os filtros que recebemos ao longo da vida de pessoas que tomamos como exemplo, vamos criando receptáculos e sintetizando, para nós, informações que influenciarão diretamente em nossas ações comportamentais. Segundo, porque com a mudança dos meios, das vivencias, dos receptáculos – que são naturalmente dinâmicos – nós também mudamos traços de nossa personalidade e do nosso comportamento. E é essa metamorfose tão premente, tão idiossincrática, que nos amplia o entendimento do que seria a igualmente polissêmica palavra viver.

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Sweet Nothing: Assista ao novo videoclipe do Calvin Harris com participação de Florence Welch

Após a grandiosa colaboração com a cantora Rihanna em We Found Love, que o projecionou ao mercado internacional e o firmou na concorrida da indústria musical, Calvin Harris lança a excelente Sweet Nothing em parceria com ninguém menos que Florence Welch. Confira:

Com o diferencial da letra bastante elaborada em comparação à costumeira repetição silábica das músicas eletrônicas, Sweet Nothing apresenta um clipe igualmente elaborado, com enredo conflituoso e interpretação brilhante de Florence. Fugindo do velho clichê de associação natural entre música eletrônica e festas, o videoclipe inova, ainda que relação tempestuosa já tenha pontuado um outro trabalho do DJ – o já citado We Found Love,  que, por sinal, ganhou recentemente o VMA de Melhor Video do Ano -. Aforismos a parte, a parceria entre Calvin e Florence não poderia ser mais indicada e, com ela, o DJ escocês tem tudo para continuar num grande estágio de sua carreira.

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O yaoi na música Ocidental

Segundo o respeitado, aclamado e muito consultado – qualquer informação/adjetivo que vá de encontro à estas qualidades é recalque da concorrência –  Wikipédia, o termo yaoi significa: um gênero de publicação que tem o foco em relações homossexuais entre dois homens e tem geralmente o público feminino como alvo. O termo se originou no Japão e inclui mangá, anime, novelas e dōjinshis. No Japão esse gênero é chamado de “Boy’s Love”, ou simplesmente “BL”, e “yaoi” é mais usado por fãs do ocidente. O yaoi se expandiu para além do Japão; materiais podem ser encontrados nos Estados Unidos, assim como em nações ocidentais e orientais ao redor do mundo.

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Série Metroid: Samus Aran e o fetiche nerd

Por Thiago Mattos

Metroid é considerada a terceira maior saga da Nintendo, Samus Aran é uma das primeiras protagonistas femininas da história dos videogames. No início, a caçadora de recompensas não tinha apelo sexual nenhum, no Metroid pra NES (1986), só se descobriu que era mulher ao fim do jogo, devido a grande quantidade de armaduras que a loira carregava consigo.

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VMA e outras histórias (Parte II – Final)

Quando comecei a escrever este post, primeiro me coloquei no lugar dos leitores e me – nos – questionei: vocês querem a notícia boa ou a notícia ruim primeiro? Bem verdade que, até mesmo pela estrutura do nosso blog, quase nunca consigo dar o ar de notícia a alguma informação; mas, mesmo assim – teimoso que sou – vocês querem a notícia boa ou ruim primeiro?

Bom, tomei a liberdade de deliberar comigo mesmo e, como sempre respondo, quando alguém me aborda com essa questão, decidi começar pela ruim – ou no caso de hoje, apenas não tão boa -. Há uma explicação simples para optar por começar pela ruim: que a boa seja suficientemente boa para arrefecer, no ínterim em que as informações vão se destilando, a ruim. Sem maiores delongas, afinal, se vocês não se identificarem com a Ally Craig (personagem do filme Remember Me) que gosta de começar as refeições pela sobremesa, vocês concordarão comigo – e, por fim, toda essa explicação será, praticamente, em vão. Então vamos lá!

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Sorry: o novo videoclipe da Ciara

Com a alma do R&B, Sorry marca o retorno ao cenário musical da cantora Ciara; esse é o single responsável por inaugurar seu álbum One Woman Army, previsto para estrear em dezembro. Confira:

O clipe, além de belos recortes fotográficos e boa edição, demonstra que a cantora, não só não perdeu suas referências, como não perdeu o rebolado e continua dançando. E muito. Isso possui grande valia, afinal, em tempos de hitmakers, números #1 na Billboard Hot 100, não se render ao pop chiclete é quase tentador. Só por este diferencial, já merecia o sucesso. Que a parceria com L.A. Reid e sua nova gravadora Records lhe traga bons frutos. Começaram bem.

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Artistas Coreanos no Japão – Uma reviravolta na História.

Por José Augusto Neto

Como já disse em meu primeiro artigo sobre K-Pop ( que você pode ler clicando aqui) a expansão da cultura coreana tem alcançado os  mais diversos países, e o Japão, por ser o segundo maior mercado fonográfico do mundo, é alvo certo dos artistas coreanos.

Com o inicio da onda Hallyu poucos artistas realmente arriscavam a carreira no Japão com músicas japonesas, mas logo depois o sucesso de BoA com seu debut japonês, diversas empresas começaram a fazer investimentos em seus artistas para que ele se lançassem no Japão.

Além de BoA, o grupo Tohoshiki (DBSK) que debutou na Coreia em 2003, mas só fez sua estréia no Japão em 2005 é um nome a ser lembrado. O Grupo tem uma das maiores vendagens de cd’s no Japão entre os artistas coreanos e mesmo depois da saída de 3 dos 5 membros do grupo continua entre os maiores artistas coreanos a aterrissarem em solo japonês.

Entre os girl groups o grande precursor da entrada dos artistas em solo japonês foi o grupo Jewelry. Jewelry debutou na Coreia em 2001, mas entrou no mercado japonês em 2004. O grupo lançou 4 singles, mas nenhum deles alcançou grande sucesso. Mesmo assim, Jewelry abriu as portas para outros girl groups tentarem.

No período em que os grupos começaram a debutar do Japão, lá pela primeira metade da década de 2000 , era visível quão preparados eles estavam para entrar em um mercado estrangeiro. A grande maioria dos artistas falava japonês de maneira fluente, estavam sempre de acordo com a rígida etiqueta japonesa e as músicas, mesmo as versões de músicas coreanas, tinha realmente letras que eram fáceis de serem distinguidas pelo povo japonês. E pelo fato de existirem poucos artistas que entravam no mercado nipônico, os artistas coreanos realmente lutavam para serem reconhecidos também como artistas japoneses.

Atualmente é notável o despreparo dos artistas ao entrarem no mercado midiático japonês, porque poucos deles sabem a língua japonesa e poucos estão habituados a estrutura de vida do povo japonês. Tal fato é comprovado pelas ferrenhas críticas que diversos grupos vêm sofrendo recentemente.

Ainda que alguns grupos sejam fracos outros continuam a fazer sucesso como: Tohoshiki, Kara, U-Kiss, ShinEE, SNSD, T-Ara, After School e Rainbow.

Alguns Artistas Coreanos que tentaram carreira no Japão.
Alguns Artistas Coreanos que tentaram carreira no Japão.

Ao meu ver é positiva a iniciativa de se lançar artistas coreanos no Japão, mas acho que as empresas deviam investir melhor na preparação dos artistas e na adequação de suas músicas para gosto do público japonês.

VMA e outras histórias

Quinta-linda-feira. E antes que você diga que é só porque é dia dos meus posts no PACULT eu humildemente afirmo: não apenas. Hoje, às 21h, horário de Brasília, será transmitido pela MTV uma das maiores premiações da música internacional e a maior voltada para a coroação de videoclipes: o VMA.

Dentre as apresentações, figuram grandes nomes Alicia Keys, Nicki Minaj, Taylor Swift, Green Day, Frank Ocean, 2 Chainz, P!nk, One Direction. Outro nome que se destaca, não só pela responsabilidade da performance de abertura, mas, também, pela grande quantidade de nomeações – no total, contando com as parcerias, foram 11 – é Rihanna, que cantará seus hit de maior sucesso We Found Love, com participação do DJ Calvin Harris e lançará seu mais recente single Cockiness ao lado do rapper A$AP Rocky.

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A Nova Estranha América

Greil Marcus, em seu livro Invisible Republic, de 1997, usou a espressão “Old weird America” para descrever os sons estranhos encontrados na compilação Anthology of American Folk Music. O Invisible Republic é um livro sobre a criação e a importância cultural do The Basement Tapes, um álbum de Bob Dylan. Marcus diz que a influência da compilação no álbum de Dylan é tamanha que a sensibilidade do Anthology está refletida nas gravações do The Basement Tapes e argumenta que os sons do Basement são “uma ressurreição do espírito do Anthology”.

David Keenan, na The Wire, revista considerada a bíblia da música de vanguarda e experimental (por favor, não me diga que você achava que a NME e a Pitchfork detinham esse título), chamou o novo movimento de música experimental que vinha emergindo de “New Weird América”, um jogo de palavras com o termo utilizado por Marcus para descrever o Anthology. Keenan então “cunhou” a expressão “freak folk” para definir o estilo de vários artistas, desde Jack Rose até Devendra Banhart.

O freak folk é um gênero (se é que podemos chamar assim) já velho, mas paradoxalmente novo. Une o folk cru dos artistas esquecidos dos anos 60 com a psicodelia que marcaram os mesmos anos, mas com uma roupagem nova.

O cantor que trouxe esse estilo ao mainstream foi Devendra Banhart, que em 2004 lançou a compilação The Gold Apples of the Sun, que reunia a nata do folk psicodélico independente da época. Esse álbum é considerado o principal álbum do movimento. Banhart também tirou do esquecimento artistas como Vashti Bunyan (essa que é considerada genuinamente a primeira cantora de freak folk).

Banhart e seu estilo de vestir. Seria ele um “hipster”?

Banhart é, talvez, o mais relevante (o que não quer dizer que seja o melhor) de uma trupe de notáveis cuja música é calma, fantástica, surreal e com um traço de ironia. A gangue inclui a altamente poética Joanna Newson, que com sua harpa mortal nos deixa em êxtase, os felizes mas não menos psicodélicos do Animal Collective, as emblemáticas e exóticas irmãs Sierra e Bianca do CocoRosie, e o barroco e teatral Antony Hegarty, do Antony and the Johnsons.

As irmãs do CocoRosie

Eles tocam músicas que a maioria das pessoas consideraria estranhas – o que não deixa de ser verdade. O experimentalismo é tanto que às vezes chega a incomodar, mas é um incômodo bom, que dá prazer em ouvir. É sensacional. Além do folk e da psicodelia, alguns artistas adicionam outros temperos à mistura, como o tropicalismo, a musique concrète, o free jazz, elementos eletrônicos, sons étnicos de lugares distantes etc.

Cada novo artista que você descobre é um universo musical a ser desvendado. Cada ritmo, cada acorde, cada timbre, cada instrumento diferente pode ter um experimentalismo mais diferente ainda por trás. Ou não, pode ser apenas a coisa mais simples e banal do mundo, mas que ainda assim vai soar diferente.

O movimento vem crescendo relativamente rápido. É do Grizzly Bear o melhor álbum do gênero na minha opinião, o Veckatimest. Alguns outros artistas, como a tUnE-yArDs, os Dirty Projectors, o Vetiver e o Ariel Pink’s Haunted Graffiti vêm fazendo relativo sucesso nos meios alternativos.

Aqui vão alguns dos melhores exemplos (os clipes não deixam de ser estranhos, mas excelentes):

O jeito é embarcar na vibe dos artistas e experimentar também.