“O avesso às vezes dá certo”

Silva é um dos sobrenomes mais comuns no Brasil, e, de acordo com uma pesquisa citada no site Wikipédia, estima-se que cerca de 10% de brasileiros – numa amostragem um número pequeno, mas, tomemos a liberdade de explanar como se estivéssemos falando de toda população, o que nos deixaria com 19, 4 milhões – possuem este sobrenome. Na falta de dados mais concretos ou falta de informação do IBGE, me contento, por hora, com esses 10%, e mais, ainda tomo a liberdade de falar que é provável que muitas pessoas que não estão inclusas dentro destes 10% possuam tal sobrenome, mas, facilitemos a escrita de meu raciocínio.

Desta porcentagem, boa parte consegue uma maneira de esconder tal sobrenome, ou de não ter que usá-lo. O “comum” parece causar uma certa aversão nas pessoas, sobrenomes diferentes e incomuns costumam prevalecer diante desses que são a cara do Brasil – e de Portugal também – uma ressalva inclusive para o sobrenome desta que vos escreve, que preferiu o estrangeiro ao brasileiro, acontece, né?

E dentre esses quase 20 milhões de brasileiros um se destaca pelo seu, ao mesmo tempo que peculiar… comum, nome artístico. Apenas Silva. Assim é conhecido tal brasileiro, não sei se pelos mesmos motivos que a banda The Smiths, que queria provar ser tão comum quanto qualquer um na rua, mas, Silva, já em seu primeiro EP, mostra que de ordinário, nada tem.

Não sou nenhuma especialista de música, mas, quando meus ouvidos gostam de algo, não posso negar a vontade de escrever sobre, e com Silva foi assim. Suas letras leves e bonitas estão arranjadas em melodias que grudam de uma maneira instantânea em sua mente, não raro você se pega a cantarolar tentando adivinhar – ou lembrar – a letra que se encaixa ali, e logo dá play novamente no youtube para escutar mais uma vez.

Confesso que quando vi o videoclipe A visita, não foi a letra que me fez ouvir repetidas vezes – mesmo que esta já tivesse ficado a vaguear pela minha mente – e sim a forma como decidiram retratar tal música, a sequência de imagens em movimento me intrigou de tal maneira, que por vezes cheguei a conclusões diversas do que  queriam dizer com os músicos e seus rostos de animais  e com o funeral retratado de uma forma tão curiosa, que ainda consegue colocar um pequeno sorriso pela maneira que é conduzido.

O músico capixaba mistura em algumas de suas músicas o pop com uma batida levemente eletrônica, como na música Acidental, e ainda acrescenta o som de diversos instrumentos nas músicas, que, em conjunto com os outros elementos, conseguem evocar uma imagem em minha cabeça, como 12 de maio – que, de alguma forma, sempre me faz lembrar o Frevo de Olinda e seus guarda-chuvas coloridos.

Recentemente Silva também lançou seu primeiro álbum “Claridão”, e promete ser uma boa escolha para os brasileiros em vista de outras bandas que fazem sucesso aqui no Brasil – e no resto do mundo também. E como diz a letra de uma de suas músicas: “o avesso ás vezes dá certo”, e deu.

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