FUCK! I’m in my twenties.

 

Não lembro exatamente quando, mas ao abrir os olhos logo após o som irritante do alarme, acordei sem ter a mínima ideia do que queria fazer com minha vida. Meses depois, ao conversar com amigos, cheguei à conclusão que o problema crônico pelo qual passava é a nova coqueluche da nova geração: a crise existencial dos vinte e poucos.

 

Donos de infâncias calmas ou turbulentas, adolescências que deixam saudades ou remorsos, todos encaram a mesma realidade: não estamos onde esperávamos estar, e em alguns casos, bem longe de onde gostaríamos. Poderíamos culpar nossas altas expectativas, nossa prolixidade natural ou até mesmo nossos pais (o que convenhamos, é bem injusto), entretanto, o que poderia explicar a nossa falta de vontade?

 

Essa pergunta – assim como outras – nem se passou pela minha cabeça, que ainda tentava entender exatamente o que havia acontecido entre o momento em que adormeci e meu despertar. Eu sabia que me formaria, mas e o depois? Deveria haver um plano, não? Talvez eu devesse ter acatado a sugestão de meu pai e feito Direito, certo? Então eu poderia me formar, fazer um concurso publico e ficar no mesmo emprego até aposentar ou falecer, o que me lembra de algo perturbador e aterrorizante que atingiu todos os infectados pela tal coqueluche: nada dura para sempre, nem mesmo as pessoas.

 

Murakami pode explicar muito melhor em seu Norwegian Wood, mas ver muros de seguranças serem transformados em mares de incertezas é petrificante, um tipo de paralisia que vai com toda nossa cultura do “agora”, que nós mesmos ajudamos a criar. E nesse ponto, eu talvez tenha chegado ao ponto, o porquê da questão, a origem da angustia: nós nascemos para correr, sem pensar nos pequenos passos de bebê pelo caminho. A nossa pressa por resultados – tão exaltada por alguns – acabou por se mostrar menos excitante que o esperado. Os contras eram mais aceitáveis quando distantes.

 

Problema identificado, mas o que fazer agora? Em épocas de reeducações alimentares, físicas, políticas e até fashions, que tal aprendermos à andar? Um passo de cada vez, aprendendo aos poucos… É devagar, todavia, não se corre o risco de tropeços.

 

Chegamos à década na qual nós – as crianças do Cartoon Network e Fox Kids – iremos crescer e, com muita sorte, nos tornar adultos (no melhor sentido da palavra), tenho certeza disso. Você pode não entender como, mas quer saber de uma coisa? Eu também não sei.

 

E talvez a graça esteja justamente em tudo isso.

 

 

 

Obs: Cada vez é maior o numero de incertos em seus vinte e poucos representados em algum tipo de veiculo midiático, desde a série Girls da HBO até Lost In Translation, passando por algumas das músicas mais legais das ultimas décadas. A segunda imagem pertence ao tumblr FUCK! i’m in my twenties de Emma Koenig (cujo titulo empresta o nome a este post).

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