Scream & Shout: a corte está ameaçada

Olá, paculteiros. Estive afastado da nossa programação pop de toda semana-nos-dai-hoje, porque me empenhei em escrever o artigo publicado na terça-feira, da semana passada. Se você ficou observando muito as estrelas no telescópio, foi abduzido – como no The Sims – e não sabe sobre qual artigo estou falando, é só clicar aqui. Os resultados foram muito positivos e inspiradores e eu me sinto ainda mais intimado a sempre ficar por aqui, pertinho de vocês.

Que bom poder voltar a falar de música pop logo quando a princesa do gênero está, também, de volta à ativa. De férias da música para se tornar jurada e técnica do Xfactor, Britney cedeu seu rosto, sua marca e sua voz para Scream & Shout, parceria no álbum, igualmente de retorno, do cantor will.i.am (#willpower, previsto para ser lançado em 2013). Continuar lendo “Scream & Shout: a corte está ameaçada”

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Amor, sexo e…

Quando se fala em prazeres carnais ou simplesmente em prazeres sem especificações ou rótulos logo lembramos da palavra sexo. O ápice do prazer, o auge do êxtase corporal e de todas nossas manifestações hormonais refletidas em um ato resumidas em um verbete. O mundo é movido por ele, a indústria porno-erótica fatura bilhões em cima dessa prática que é tecnicamente simples, variando apenas em número, lugar, posições e objetos; homens gananciosos cometem ações ilícitas, imorais, ilegais e antieticas o tempo todo para subir na vida. Subir na vida para ter muito dinheiro e poder. Ter dinheiro e poder para conseguir quantas mulheres quiser. Ter tantas mulheres para fazer o que com elas mesmo? Continuar lendo “Amor, sexo e…”

O urso-cinzento e sua obra-prima

18 de setembro de 2012. O dia do lançamento de um dos melhores álbuns do ano.

Alguns álbuns passam despercebidos, sem serem notados. Ficam ali escondidos, só esperando para serem descobertos. Uns são tão ruins que nem quando notados ganham destaque. Outros, quando são descobertos, se tornam referência cult. Alguns, ainda, são renegados a meros papeis de coadjuvantes em meio a um competitivo cenário de artistas frustrados e bandas estreladas. Nenhum desses casos é o do Shields, novo álbum do Grizzly Bear, que já nasceu pronto para brilhar.

Shields é um épico de 10 faixas e algumas sensações. Muitos duvidavam que a fantástica banda do Brooklyn conseguiria fazer algo superior ao belo Veckatimest. Conseguiram com sobra. O álbum é uma obra-prima. É um daqueles álbuns que se tornam referência. Merecidamente. Continuar lendo “O urso-cinzento e sua obra-prima”

Sobre nostalgia, respeito, violência e educação

           

           Acordei cedo, como se não estivesse de férias, na manhã de uma quarta-feira chuvosa. Nas lembranças da noite anterior, sentia o peso de escrever algo, talvez o melhor texto de toda a minha vida, porque, simplesmente, parecia – parece – ser meu dever. Afinal, havia visitado a escola em que fui alfabetizado e participar de um projeto tão grande realizado dentro de seus muros e me comprometer a escrever sobre essa experiência, a mim, é uma espécie de obrigação qualitativa. Não bastasse essa responsabilidade, nem tudo estava acabado; eu deveria voltar, nesta mesma manhã de quarta chuvosa, ao lócus, colher ainda mais informações e, naturalmente, sentir dobrar o peso nos ombros. Essa minha situação me fez lembrar as angústias de um certo Guido, diretor de cinema italiano em Nine (2009). Ao final de deliberações com mesclas nostálgicas, ausência de cigarros e guiado pelo Felipe menino, eis meu enredo: Continuar lendo “Sobre nostalgia, respeito, violência e educação”

O retrato, por Gogol

Alguns artistas se veem, constantemente, diante de um impasse: o que fazer com sua arte: dedicar-se a esta por amor, e não comercializá-la, afinal, os apreciadores saberão o real valor delas; ou seguir uma vertente que não lhes agrada por dinheiro e assim se manter dela, ou ainda, tentar conciliar os dois sem deixar a essência sumir. Tal dilema foi relatado de uma forma tão consequentemente natural por Nikolai Gogol, em “O retrato”, que, por vezes, nem sequer parecia ser um conflito tão grande na cabeça do protagonista da primeira parte do conto.

Nikolai Gogol

A primeira parte do conto é sobre uma parte da vida de um jovem pintor, Tcharkhov, que, mal tendo o dinheiro para pagar seus aluguéis vencidos, consegue, de alguma forma, dispensar uma parte de seus últimos centavos na compra de um retrato que acredita ter pertencido a um exímio pintor. Continuar lendo “O retrato, por Gogol”

Chá de Cogumelo

2973. Janilene estava exausta. Após a vareta sazonal ter ganhado a causa referente à sonegação de furos da epiderme e a deixado em total prejuízo por pelo menos 42 eras, não lhe restavam muitas alternativas. A decadência era exposta a todos os Cyberfuckfurious que trafegavam na Av. José Sarney e a  enxergavam abaixo do espelho que nada reflete. Sem reflexão, sem conclusões. Seus olhos aos poucos sentiam o peso da atmosfera composta pela dimensão negativa versus a inversão de elétrons. Qualquer reles Prancha de Havaiana haveria de olhar tal situação com desdém e até mesmo os Cabeçudos da Sobremesa de Vinagre, que sofreram dura discriminação há épocas muito recentes, poderiam sentir dissabores com tal cena.

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Ruby Sparks: sobre amor e expectativas.

Não é de hoje que criamos expectativas sobre pessoas e, todos os dias, pelo menos algum desafortunado – ou desafortunada, já que a falta de sorte não discrimina gênero – se apaixona por alguém sem mesmo conhecê-la. Tá certo, não é todo mundo que se apaixona na primeira vista, mas quantos milhares – ou milhões – não se apaixonaram pela ideia de alguém? Pela concepção platônica que você – em questão de segundos – criou sobre a pessoa em questão. O grau de platonismo pode variar de uma pessoa à outra, mas todas fazem parte do mesmo clube. Esse tipo de paixão é um sentimento complexo e um tanto quanto lamentável, tendo geralmente como resultado final algo frustrante (normalmente envolvendo um punhado de lágrimas, determinada quantidade de comida e/ou bebida, além da promessa de nunca mais passar por isso de novo). Essa receita, ainda que desapontadora na vida real, pelo menos é um sucesso cinematograficamente: vamos chamá-la de Escola Annie Hall de Expectativas Frustradas, cujos ensinamentos podem ser vistos em (500) Days of Summer, How I Met Your Mother e Submarine (para citar alguns exemplos mais recentes). Todavia, nenhum deles é tão literalmente platônico como Ruby Sparks.

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Aura Dione: in love with the world

Sabe quando você não tem muitos argumentos para simplesmente dizer que não tem argumentos? Pois é, o Sol de Cuiabá fez esvair, completamente, toda a minha inspiração. Acalmem-se! Não totalmente. Há algum tempo, questão de meses, flanando em Facebook de amigos que curtem músicas do cenário alternativo, encontrei “fulano curtiu Aura Dione” – eu realmente não me recordo de quem foi a página responsável por proporcionar este grande encontro -. E, desde então, quando acessei a página oficial da cantora, passaram-se poucos segundos para eu, no mínimo, me intrigar com seus exageros: voz, estilo, boca, dentes, olhos. Continuar lendo “Aura Dione: in love with the world”

Não é apenas mais um conto de Halloween americano

Arte: Rafael Irineu

Era bem verdade que, quando Katy havia se dirigido ao jardim para conferir os últimos detalhes da pequena confraternização, a Lua já pintava o céu com uma réstia de luz refletida num novelo de nuvens densas; era verdade, também, que agora, olhando pela escada que descia sob seus pés, o medo que ia lhe subindo pela espinha, realizando sinapses e provocando pequenos espasmos pelo corpo todo, parecia antecipá-la para tudo de ruim que viria acontecer nos próximos atos.

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