O urso-cinzento e sua obra-prima

18 de setembro de 2012. O dia do lançamento de um dos melhores álbuns do ano.

Alguns álbuns passam despercebidos, sem serem notados. Ficam ali escondidos, só esperando para serem descobertos. Uns são tão ruins que nem quando notados ganham destaque. Outros, quando são descobertos, se tornam referência cult. Alguns, ainda, são renegados a meros papeis de coadjuvantes em meio a um competitivo cenário de artistas frustrados e bandas estreladas. Nenhum desses casos é o do Shields, novo álbum do Grizzly Bear, que já nasceu pronto para brilhar.

Shields é um épico de 10 faixas e algumas sensações. Muitos duvidavam que a fantástica banda do Brooklyn conseguiria fazer algo superior ao belo Veckatimest. Conseguiram com sobra. O álbum é uma obra-prima. É um daqueles álbuns que se tornam referência. Merecidamente.

O álbum nos faz sentir estranhos. É como se estivéssemos flutuando sobre uma névoa tão densa, tão pesada e tão sufocante que nos dá vontade de gritar, espernear, chorar, sentir, viver, morrer. Cada pequena fração do disco expõe uma nova essência de algo que ainda não descobrimos o que é, mas que é bom. Cada acorde, cada ritmo, cada timbre nos remete a algo interno que nem mesmo nós sabemos o que é.

A faixa de abertura do álbum, Sleeping Ute, é tão boa quanto Southern Point ou Easier, as faixas de abertura dos dois álbuns anteriores. A faixa é tão genial que foi escolhida como o primeiro single da banda. Tem a letra mais antiga do álbum, foi escrita antes de Daniel Rossen se juntar à banda. Talvez seja isso que dê um toque tão pessoal e intimista a esse som.

O segundo single, Yet Again, talvez seja o que mais se distancie dos álbuns anteriores: é algo mais novo, mais vivo, mais agressivo. A Pitchfork disse que a música sugere que o arsenal sonoro do Grizzly Bear está sempre em expansão, e que os vocais de Droste sugerem uma afinidade com a vasta paleta emocional do ex-parceiro de turnês Thom Yorke. É o carro-chefe desse álbum tão cheio de experimentalismos e barulhos estranhos.

A faixa que fecha o álbum, Sun In Your Eyes, é mais longa, mais melancólica e mais etérea de todas as faixas. A letra, tão simbólica e metafórica, dá margens para várias interpretações. Fecha o álbum com chave de ouro.

O LP tem uma riqueza instrumental indiscutível. Os lindos e melancólicos vocais alternados de Ed Droste e de Daniel Rossen tem uma finesse poucas vezes vistas antes em um álbum introspectivo. E que introspecção encantadora.

Eu já havia mencionado o Grizzly Bear no post sobre Freak Folk, mas esse álbum ficou tão bom que mereceu um post especial.

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