Porque hoje somos todos Brasil

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Reprodução: Blog do Jucá

Por Lorena Krebs

O meu Brasil nem sempre foi de futebol, mas o Brasil de mais de 142,2 milhões de brasileiros* foi carregado de euforia, de mãos levando a camisa do time a boca, meio que pra abafar algum grito já comprimido, ou de mãos que recorriam a cabeça para deixar claro o desespero ante a cena que se sucedia no campo. Este Brasil sempre viu a bola rolando na grama, as torcidas organizadas e o triunfo da conquista de algum campeonato.

 

O meu Brasil nem sempre foi de lembrar qual era o nome do técnico de um time de futebol ou qual era a escalação para o próximo jogo da seleção, mas o Brasil de torcedores sabia quanto valia o passe de um jogador, quem eram os técnicos mais bem quistos e como funcionava a dinâmica das séries A, B, C… ou até mesmo dos campeonatos internacionais.

O meu Brasil tinha uma noção maior do jornalismo esportivo, do brilho no olho que este consegue trazer em narrações ou em histórias de superação de atletas e esse outro Brasil sempre soube disso. O meu Brasil passou a admirar jornalistas esportivos e aprendeu a apreciar as grandes histórias que eram desenroladas para contar sobre os lances que aconteceram em um jogo ou sobre um acontecimento histórico no esporte. O outro Brasil cresceu escutando um rádio ou um locutor, acompanhando com avidez as palavras que explicavam o que ocorria em campo. O Brasil dos torcedores sabia dar apreço aqueles que ao esporte se dedicavam.  

Aprendi sobre persistência principalmente com exemplos de grandes empreendedores ou grandes líderes, os torcedores aprendiam na prática o que era seguir até o fim, ocorresse rebaixamento ou não, tivesse gol ou não, fizesse bonito ou não.

Mas hoje o meu Brasil e o outro Brasil não tem distinção. Hoje o meu Brasil sabe que, afinal de contas, o Brasil é um país de futebol e a perda pesa pra todos. A dor é uma só. Hoje, o nosso Brasil lamenta a silenciosa e catastrófica perda sofrida para o futebol brasileiro, para o jornalismo esportivo, para inúmeras famílias e para uma torcida que se vê desamparada sem seus ídolos a correr. Hoje, o nosso Brasil é um só. Hoje o nosso Brasil é, acima de tudo, chapecoense.

E é em nome deste único Brasil de hoje que o Pacult deixa aqui sua sincera homenagem aos que se foram e aos que ficam.

E com a palavra final e com a licensa poética de transmitir um post de outro site, Juca Kfouri.

O “New York Times” quis saber: o que é a Chapecoense?

 Como um time tão desconhecido pode ter conquistado tanta simpatia pelo país afora!

 Não foi pela dor, ouviu como resposta. 

A Chapecoense é o Leicester brasileiro, talvez a explicação mais fácil para o leitor estrangeiro.

 Mas a Chapecoense não é a campeã do Brasil como o Davi britânico é da Inglaterra!

 De fato não é, mas estava em vias de ser da Copa Sul-Americana, o que talvez venha a ser depois de tudo, num belo gesto do Atlético Nacional colombiano.

Ser campeã do país, aliás, para a jovem Chapecoense é mero detalhe.

 O clube se tornou simpático para todos porque conseguiu com seus modestos recursos ser auto-sustentável, bem estruturado, com um estádio adequado, bom gramado, e um time que está em nono lugar do Brasileirão, à frente de Golias como o São Paulo, o Fluminense, o Cruzeiro, o Inter.

 Só a Chapecoense poderia ser chamada de “o Brasil na Copa Sul-Americana” sem ser mero marketing, pura demagogia.

 O nosso Leicester era ilustre desconhecido pelo mundo afora.

 Não é mais, mas não queria que fosse assim.

 Lutava bravamente pelo seu lugar ao sol.

 Que haverá de brilhar novamente, agora com uma ferida que jamais encontrará consolo, mas que um dia cicatrizará como tatuagem no peito dos Kaingang — os índios do oeste catarinense, do aldeamento de Xapecó que, liderados pelo Cacique Vitorino Condá, lutaram para garantir o direito à terra junto ao governo brasileiro no século 19.

 Todos passamos. A Chapecoense haverá de ficar.

 

*Soma da estimativa de torcedores por time em 2014, pesquisa realizada pelo Ibope e jornal Lance!

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