Como Pokémon GO será lembrado daqui a 20 anos?

Por Thiago Mattos

O jogo Pokémon GO foi lançado em solo brasileiro no dia 3 de agosto, de lá pra cá, o aplicativo foi febre por cerca de um mês, mas de novembro pra cá caiu no ostracismo. Por se tratar de um game que depende de ter muitas pessoas jogando para se ter uma verdadeira experiência e diversão, o jogo foi do céu ao inferno em poucas semanas.

Dessa forma, o Pacult leva a você uma análise fria desse título, sem a euforia do lançamento e tampouco a suposta rejeição dos últimos meses. Juntamente a essa resenha, já apostamos/elencamos as quatro formas de como Pokémon GO será lembrado daqui a 20 anos.

Vídeo: 15 de julho de 2016, o dia em que um Vaporeon parou o Central Park.

  1. A chegada da Nintendo aos smartphones

Mesmo tendo sido um jogo elaborado pela empresa californiana Niantic, pode-se afirmar com maior certeza que Pokémon GO será lembrado como a chegada de franquias da Nintendo aos Smartphones. A consolidação veio neste mês de dezembro com Super Mario Run, o primeiro jogo de fato elaborado pela Nintendo para celulares.

  1. Viés saudosista

O fato do game ter apenas os 151 monstrinhos originais e incentivar as pessoas a saírem de casa, teoricamente de forma responsável e independente, nos mostra que o público alvo de Pokémon GO são pessoas entre 20 e 29 anos de idade (as crianças do final dos anos 90).

Grande parte desta geração assimilou bem apenas os Pokémons das duas primeiras gerações (os primeiros 251) e viu com bons olhos a Niantic não disponibilizar os 802 monstrinhos que já existem*.

A grande verdade é que para a grande maioria das pessoas (incluindo as que não gostam da franquia), Pokémon são os 151 originais e Pokémon GO captou bem esse pensamento.

Por outro lado, o feitiço virou contra o feiticeiro e, por ser um game voltado à captura, seria interessante para a Niantic oferecer mais pokes aos jogadores, pois muitos alegam que a diversão acabou rapidamente.

De qualquer forma, mesmo com as atualizações inserindo novos Pokémons, o jogo será lembrado por trazer de volta a febre àquelas pessoas que assistiram as três primeiras temporadas do anime e jogaram Pokémon Yellow com Pikachu sempre ao lado.

Os constantes lançamentos de três em três anos da franquia principal fazem o trabalho de tentar renovar o fã clube Pokémon, já Pokémon GO cumpriu seu papel de ressuscitar o sentimento nos chamados ‘grown-ups’.

*Número atualizado pós-lançamento de Pokémon Sun & Moon (Novembro de 2016).

  1. Nem ótimo nem medíocre, bom

Quando quase todos os treinadores ainda não haviam chegado ao nível 20 e muitas pessoas jogavam, Pokémon GO parecia um game quase perfeito. Os jogadores queriam um sistema de trocas, poder batalhar entre amigos e reclamavam dos trapaceiros de GPS.

Vídeo: O aclamado trailer de Pokémon GO mostra um sistema de troca de pokémons entre amigos.

As pequenas melhorias não vieram e os treinadores que chegavam ao níveis mais avançados passaram a simplesmente não verem mais motivos para seguirem a jornada Pokémon e o game foi sendo abandonado.

A Niantic parece apostar que a febre vai voltar em doses homeopáticas cada vez que ela anunciar uma novidade, como a aparição de um Pokémon lendário ou a inclusão dos pokes da segunda geração, no entanto me parece uma tática arriscada, pois os gamers mais casuais não devem se sentir motivados a usarem o aplicativo novamente.

Podemos concluir que Pokémon GO não é um jogo nota 9,5 como parecia no primeiro mês, tampouco 6,5 como muitos acham que é hoje. É um título nota 8, que proporciona bem suas 30h de diversão.

  1. Experiência social

Após esse período de mais de cinco meses após o lançamento global e quatro no Brasil, qualquer análise sobre Pokémon GO daqui pra frente precisa separar o impacto do game na sociedade do jogo em si.

O fenômeno social provocado pelo aplicativo é muito maior e melhor que o próprio jogo em si. Notícias de pessoas depressivas e sedentárias que se motivaram a sair de casa, caminhar, visitar parques e recuperaram a vontade de viver são o grande legado que Niantic e Nintendo trouxeram à sociedade.

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Estimulando caminhadas em parques, Pokémon GO gerou debates por talvez ter se tornado um ‘App fitness’, especialmente num ‘país acima do peso’ como os EUA (Imagem: Sparkpeople.com)

Por outro lado, os críticos sempre irão apontar os acidentes de carro, tombos e até mortes ‘causadas’ pelo game. Um debate foi lançado e certamente permeará o meio acadêmico nas próximas décadas.

Certamente muitos TCCs, teses de mestrado e doutrado irão estudar esses três meses em que as interações entre as pessoas, jogadoras ou não, foram afetadas por um game.

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