Breath of the Wild e as diferenças entre ser O Maior e o O Melhor

Por Thiago Mattos

O lançamento do jogo Zelda: Breath of the Wild juntamente ao novo console Nintendo Switch no início deste mês ‘quebrou a internet’ com as diversas notas ‘10’ que o game recebeu da crítica especializada.

Sempre que algo do tipo acontece com qualquer game, surgem aquelas perguntas de sempre: é o melhor jogo de todos os tempos? É o melhor game dessa franquia (no caso Zelda) de todos os tempos?

Esses questionamentos são a inspiração do tema do texto de hoje, em que faço um pedido a todos que acompanham o mundo do entretenimento.

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Comparações com Ocarina se tornaram inevitáveis após essas notas.

Saibamos diferenciar MELHOR de MAIOR.

Isso serve para games, livros, séries, filmes, bandas e/ou músicas, autores, diretores, roteiristas, esportistas etc. No entanto, grande parte da classe jornalística insiste em comparar gerações diferentes e colocar na mesma balança, muitas vezes apenas para ‘gerar ibope’.

Maior de todos os tempos remete ao contexto histórico em que tal obra ou artista está inserido. No caso específico de Zelda, podemos afirmar que Ocarina of Time (1998) segue como o maior Zelda de todos os tempos e possivelmente o maior game de todos os tempos.

Ou seja, quem defende Ocarina como o maior de todos os tempos, está querendo dizer que depois dele ainda não houve um game que representou para a época em que foi lançado algo do nível que Ocarina representou em outubro de 1998.

Os gráficos em 3D, a trilha sonora padrão cinematográfico, o mundo aberto, a jogabilidade ao mesmo tempo complexa, mas intuitiva etc. Isso ainda era muito recente na época e quando um jogo reuniu todas essas qualidades, mudou inclusive a forma como games passaram a ser vistos culturalmente.

Para ilustrar o que estou dizendo, a média de Ocarina of Time para N64 no Metacritic (site que compila todas as críticas especializadas) foi de 99/100. Em 2011, o jogo foi relançado, apenas com melhorias gráficas e um hard mode no Nintendo 3DS. A nota dessa vez foi 94/100, preciso dizer mais alguma coisa?

Melhor de todos os tempos é a verdade nua e crua, ou seja, mesmo sem jogar Breath of the Wild, sei por meio das diversas resenhas que li, que é um jogo melhor que Ocarina of Time. Inclusive, é um lançamento inovador dentro da franquia Zelda, mas não é um game tão inovador no universo dos games quanto foi Ocarina em 1998.

Vale para tudo, ou você acha que até hoje nenhuma banda fez um som mais bacana que os Beatles (1960-70), nenhum filme foi melhor que Casablanca (1942), que o Pelé (1956-1977) em tempos que os jogadores de futebol corriam 6,5 km por partida seria a mesma coisa agora que a média é de 11km.

É claro que se o quarteto britânico vivesse hoje poderia fazer músicas ainda melhores e que o Pelé com o treinamento físico do Século XXI seria um jogador mais completo, mas o que está na história é o que cada um fez para o seu tempo.

Os melhores que se tornam os maiores viram aquilo que chamamos de ‘clássicos’.

Os maiores inspiram os melhores e só o tempo consegue afirmar se uma obra ou uma pessoa agora faz parte do clube dos clássicos. As séries Breaking Bad (2008-12) e Mad Men (2007-15) são consideradas obras-primas, mas só daqui 10 anos, quando percebermos inspiração de outras produções audiovisuais nessas séries, poderemos ‘cravar’ que viraram clássicos.

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